Tudo começa com uma crítica, depois vêm as cobranças sem motivo e quando você se depara, está sofrendo perseguição no trabalho.
Se você está passando por isso, saiba que essa perseguição é chamada de assédio moral e só em 2020, mais de 50 mil pessoas entraram na Justiça pelo mesmo motivo.
Essa perseguição muitas vezes parte do dono da empresa, de um supervisor ou alguém com cargo maior que o seu, mas também pode acontecer por parte de um colega.
Em todas as situações, independente de quem é o agressor, de quem te persegue, é possível caracterizar como assédio moral no trabalho.
Aqui, vou te mostrar exatamente quando essa perseguição se caracteriza como assédio, seus direitos e como você pode resolver essa situação.
1- Quando a perseguição no trabalho se caracteriza como assédio moral?
O que a maioria de nós chama de perseguição no trabalho, na verdade é assédio moral.
Já falei aqui no blog o que caracteriza assédio moral no trabalho, mas basicamente uma situação pode ser considerada como assédio quando:
- Alguém faz algo que te deixa psicologicamente abalado;
- Essa pessoa faz isso por vários meses, várias vezes;
- A pessoa tem o objetivo de te prejudicar ou, pelo menos, assume o risco disso acontecer.
Para ser assédio, precisa ter esses 3 requisitos.
Veja o exemplo da Carla:
Por causa da síndrome de burnout, a diretora da escola passou a tratar a Carla de maneira diferente.
O objetivo da diretora é que a Carla saia da empresa e para isso tirou todas as atribuições dela.
Nesse caso, a situação se configura como assédio moral, já que:
- A diretora retirou as atribuições da Carla;
- O ócio forçado vem acontecendo desde que a Carla retornou do afastamento.
- O objetivo da diretora é fazer com que a Carla peça demissão.
Nem sempre o objetivo do assediador ou da pessoa que te persegue é ver você pedindo demissão.
Em algumas situações, o agressor simplesmente assume esse risco.
Veja o exemplo do Valter:
O objetivo do supervisor não é que o Valter peça demissão, mas sim que ele produza mais.
A questão é que, ao buscar esse aumento da produtividade, o supervisor assume o risco de que o Valter se prejudique e até adoeça mentalmente.
Não existe uma lista de tudo o que pode ser considerado como assédio moral, mas se você está vivendo algo que contém esses 3 requisitos, então você está sofrendo assédio moral no trabalho.
2- Sem provas, você não tem nada
O primeiro passo é anotar tudo. Registre tudo o que aconteceu com você, salve datas, o que aconteceu, onde aconteceu. Tudo.
Escreva o nome de quem presenciou, de quem participou. Faça um verdadeiro dossiê.
Isso vai te ajudar a comprovar que aconteceu.
Além disso, você poderá provar através de:
- E-mails;
- Bilhetes;
- Mensagens de WhatsApp;
- Vídeos e áudios;
- Denúncias;
- Atestados médicos.
Tudo que possa mostrar que o assédio aconteceu.
Além disso, as testemunhas são as melhores provas do assédio moral. Pessoas que viam o que acontecia, que viam as consequências do assédio.
Se você estiver em dúvida sobre como comprovar que está sofrendo assédio moral no trabalho, recomendo conferir esse conteúdo.
3- Direitos de quem sofre assédio moral no trabalho
Se você está sendo perseguido no trabalho, saiba que você tem direito de:
Quem sofre assédio moral no trabalho não deve pedir demissão e se prejudicar ainda mais, você pode sair da empresa sem prejuízos.
Nesse tipo de situação, é como se a empresa estivesse cometendo uma falta grave e por isso você pode exigir a sua rescisão indireta.
Você sai do emprego e recebe todos os direitos.
Além disso, você deve ser indenizado pelo sofrimento que passou.
5- Passo a passo para quem está sofrendo perseguição no trabalho
Se você está sofrendo perseguição no trabalho e quer que isso pare, recomendo seguir estes 5 passos:
No fim, se nada disso der certo, infelizmente só restam duas saídas:
- Entrar com a rescisão indireta.
- Pedir demissão.
Por isso, se você seguiu todos os passos e não conseguiu resolver, recomendo ler nosso post sobre rescisão indireta por assédio moral.
a) Escreva um diário de tudo o que acontece
A primeira coisa que alguém que está sofrendo assédio moral no trabalho deve fazer é anotar tudo o que acontece.
Isso vai te ajudar em 3 coisas:
- Evita que você esqueça do que aconteceu;
- Facilita na coleta das provas;
- Pode ser utilizado como denúncia.
Você precisa anotar as datas, os fatos, quem viu e quem fez, tudo.
Assim você evita esquecer algo que tenha acontecido.
Além disso, este diário serve para te guiar no que você vai precisar provar.
Por fim, com este diário pode servir de denúncia, você está ali narrando tudo o que aconteceu com você. Assim, basta enviar para o canal de denúncias da empresa e Ministério Público do Trabalho.
Muita gente acha que isso é bobagem e desnecessário, mas é extremamente importante. Não deixe de registrar tudo!
b) O aplicativo de gravação de voz é o seu melhor amigo
Uma das maiores dificuldades para quem sofre assédio moral e sexual no trabalho é ter provas do que aconteceu.
Por isso, sempre recomendo aos nossos clientes baixarem algum aplicativo de gravação de voz no celular.
Assim, você pode juntar provas do que vem acontecendo com você.
Lembrando que você pode gravar as conversas com qualquer pessoa sem precisar avisar e isso serve de prova na Justiça.
Dependendo de como é o assédio, as provas vão mudar, mas o áudio é uma ótima prova em praticamente todos os casos.
Além de gravações de voz, você pode utilizar estas provas:
- E-mails;
- Prints de conversas no WhatsApp;
- Vídeos;
- Testemunhas;
- Relatórios;
- Denúncias;
- Boletim de ocorrência.
Na verdade, tudo que não seja ilegal pode ser utilizado como prova.
É complicado eu te dizer como provar o assédio, assim de forma genérica, pois o assédio pode acontecer de várias formas.
Por exemplo, se o assédio que você sofre é através de cobranças abusivas de metas.
Você pode utilizar como prova os relatórios das metas, e-mails de cobrança e testemunhas.
Agora se o assédio na verdade acontece em forma de ócio remunerado, seu chefe não te passa nenhum trabalho.
Você pode utilizar gravações suas pedindo alguma atividade para seu chefe e ele ignorando ou testemunhas que confirmem o que estava acontecendo.
O que você precisa ter em mente é que todos os fatos que você afirmar devem ser provados, nada pode ser presumido.
Temos um post aqui no blog explicando de forma mais detalhada como provar o assédio moral no trabalho, você também pode conferir.
C) Confronte o assediador!
Não estou querendo romantizar as coisas ou colocar esse peso nas suas costas, mas você já tentou conversar com o assediador?
Parece algo contra intuitivo, mas pode ser mais eficaz do que você imagina.
Calma, não estou falando aqui de uma conversa bonitinha pedindo por favor para parar, ou mesmo de uma briga.
O que eu quero dizer é falar, de forma objetiva e assertiva:
Fulano, você está fazendo isso, isso e isso. Todas as vezes que isso acontece, me sinto mal, isso vem me desestabilizando e impedindo que eu faça o meu trabalho.
Peço que daqui em diante isso fique de lado e que você mude o seu comportamento, para que possamos seguir e eu não precise levar essa situação para outras pessoas.
Eu sei que muitas vezes a relação está tão desgastada, que sequer conversar é inviável, mas vale a tentativa.
Ah, não esqueça de gravar essa conversa, ela vai servir de prova! 😉
d) Se a conversa não resolveu, é hora de denunciar
Se você conversou com o assediador, mas a situação continua acontecendo, você precisa denunciar.
Veja onde você pode denunciar o que vem acontecendo:
- Sindicato da sua categoria;
- Delegacia de Polícia;
- Ministério do Trabalho;
- Ministério Público do Trabalho;
- CEREST;
- Internamente, no canal de denúncias e setor pessoal.
Aqui no blog já falei de forma bem detalhada como denunciar o assédio moral.
e) Consultar o seu advogado
Se nada dessas situações resolveram, com todas as provas em mãos, entre em contato com seu advogado.
Explique o que está acontecendo e peça um direcionamento.
Caso você deseje sair da empresa, é possível fazer isso através de uma rescisão indireta.
Também é possível que você entre na Justiça para obrigar a empresa a se abster de praticar o assédio, além de te pagar uma indenização.
Dependendo do seu caso, a estratégia pode ser diferente, por isso a importância de falar com um advogado.
Recomendo que você converse com um especialista no assunto, pois casos
Está sofrendo assédio e precisa de ajuda?
Sabemos a dor que é sofrer assédio no trabalho. Somos um Escritório com vasta experiência em causas envolvendo assédio e adoecimento mental e podemos te ajudar a encontrar o melhor caminho para o seu caso
6- Quanto tempo tenho para entrar na Justiça?
Basicamente existem 2 prazos a serem levados em consideração:
- 2 anos da data da sua demissão;
- 5 anos da última prática de assédio moral.
Se você foi demitido, começa a contar um cronômetro de 2 anos.
Após esses 2 anos, você não pode mais cobrar os seus direitos.
Além disso, se o assédio aconteceu há mais de 5 anos, você também não pode mais discutir sobre isso.
7- Conclusão
Preciso reforçar que sem provas você não tem nada. Por isso, para conseguir fazer qualquer coisa e ter seus direitos respeitados, você vai precisar provar o que vem acontecendo, falo mais sobre isso nesse conteúdo.
Infelizmente, muita gente nos procura quando a situação já está bem avançada e com a pior notícia possível: não tem nenhuma prova.
Não espere a situação ficar insustentável para reunir provas, isso dificulta muito sua vida, até mesmo se você quiser fazer um acordo com a empresa.
A maioria das pessoas sequer sabe o que é assédio moral e que pode ter direitos em relação a isso. Tem pessoas que sofrem por anos sem saber que existe uma saída, sem que precise pedir demissão.
Se você não sabia sobre o assédio moral e seus direitos, compartilhe este conteúdo nos seus grupos de whatsapp e com seus colegas, assim você pode estar ajudando outras pessoas a conhecerem seus direitos.
Ah, e seu eu fosse você, o próximo conteúdo que iria conferir seria este:
8 exemplos de como provar assédio moral no trabalho
Um abraço e até já!
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