Acidente de Trabalho
Doença do Trabalho
Acidente de Trabalho
Doença do Trabalho

Acidente por falta de EPI: direitos, provas e indenização

Compartilhar
Acidente por falta de EPI: direitos, provas e indenização
Compartilhar

Se você sofreu um acidente de trabalho porque a empresa não entregou o EPI correto, é preciso olhar o caso com atenção.

O mesmo vale quando o equipamento estava danificado, vencido ou não foi trocado.

A falta de EPI pode gerar indenização quando essa falha tem relação com o acidente ou com a gravidade da lesão.

Mas a análise muda quando a empresa forneceu o equipamento correto, treinou, fiscalizou e, mesmo assim, o trabalhador decidiu não usar a proteção.

Neste artigo, você vai entender o que conta como falta de EPI, quais direitos podem surgir e que provas ajudam.

Vídeo da MDN sobre acidente de trabalho por falta de EPI.

O que é considerado um acidente por falta de EPI?

Um acidente por falta de Equipamento de Proteção Individual (EPI) ocorre quando o trabalhador sofre uma lesão por não receber a proteção necessária para a atividade.

Isso não significa apenas "não recebeu nada".

Também pode acontecer quando a empresa entrega EPI errado, vencido, danificado, sem Certificado de Aprovação (CA), sem treinamento ou sem fiscalização.

Na prática, algo que poderia causar um ferimento menor pode virar um acidente grave quando a proteção correta não existe ou não funciona.

A CLT e a NR-06 exigem que a empresa forneça EPI gratuito, adequado ao risco e em bom estado.

Também exigem orientação, treinamento, registro de entrega e fiscalização.

O trabalhador precisa usar o EPI da forma correta.

Também deve avisar a empresa quando o equipamento estiver danificado, perdido ou sem condição de uso.

Por exemplo, pense em alguém que trabalha em altura e está usando o cinto de segurança. Se essa pessoa escorregar, pode ser que sofra apenas alguns arranhões, já que o cinto a seguraria.

O problema é se ela não estiver usando o cinto. Nesse caso, uma queda livre pode resultar em fraturas graves ou até mesmo em morte.

Nesses casos, a lógica é simples. Se a proteção correta teria evitado o acidente ou diminuído o dano, a falha no EPI pesa contra a empresa.

Quando a empresa falha no EPI

A empresa falha quando não entrega EPI, entrega equipamento inadequado, não comprova o CA, não treina, não registra a entrega, não troca o equipamento danificado ou deixa todo mundo trabalhar sem fiscalizar.

Quando ela descumpre essas obrigações, pode ser considerada culpada em caso de acidente.

Quais os principais riscos por falta de EPIs?

A falta de EPIs pode expor os trabalhadores a uma série de riscos e perigos no ambiente de trabalho. Esses riscos mudam conforme a atividade e o ambiente.

Veja quais são os principais riscos associados à falta de EPIs:

  • Lesões por quedas e impactos: em muitos ambientes de trabalho, como construção civil, indústria e serviços de manutenção, os trabalhadores estão expostos a quedas e impactos de objetos. A falta de EPIs como capacetes, botas e cinto de segurança pode resultar em lesões graves na cabeça, nas extremidades e na coluna vertebral.
  • Lesões oculares: muitas atividades envolvem materiais que podem atingir os olhos, como partículas, poeira, respingos de produtos químicos e radiação. A falta de óculos de proteção adequados pode causar lesões permanentes e comprometer a visão.
  • Lesões na pele e queimaduras: trabalhadores expostos a substâncias químicas, calor excessivo ou materiais abrasivos estão em risco de sofrer lesões cutâneas, queimaduras e irritações na pele. A falta de luvas, aventais e outros EPIs de proteção pode aumentar o risco dessas lesões.
  • Problemas respiratórios: em ambientes com poeira, fumaça, gases tóxicos ou vapores químicos, a falta de máscara ou respirador adequado pode contribuir para problemas respiratórios.
  • Lesões musculoesqueléticas: atividades com esforço, impacto, movimentos repetitivos ou posturas forçadas podem causar lesões musculoesqueléticas. Dependendo da função, joelheiras, luvas, calçados e outros equipamentos ajudam a reduzir o risco.

Depois do acidente, a dúvida é direta: quais direitos podem aparecer nesse tipo de situação?

Quais são os direitos de quem sofre acidente por falta de EPI?

Os direitos de quem passa por um acidente por falta de EPI variam conforme os danos que o acidente causou.

Se a empresa não forneceu o EPI necessário, a responsabilidade pode recair sobre ela.

O mesmo vale quando ela entrega equipamento inadequado ou não fiscaliza o uso.

Nesses casos, você pode ter direito a diferentes tipos de indenização por acidente de trabalho, dependendo das consequências do acidente.

Geralmente, em situações de acidente de trabalho, podem aparecer estes danos:

  • Indenização por danos morais: trata-se do sofrimento e do abalo emocional provocados pelo acidente.
  • Indenização por danos estéticos: ocorre quando o acidente causa alterações na aparência do corpo, como amputações ou cicatrizes evidentes.
  • Indenização por danos existenciais: ocorrem quando o acidente gera mudanças significativas em sua vida e rotina diária.
  • Indenização por danos materiais emergentes: inclui gastos com consultas, medicamentos, fisioterapia, transporte e outros custos ligados ao acidente.
  • Indenização por lucros cessantes: envolve valores que você deixou de receber por causa do acidente.
  • Pensão por incapacidade: pode aparecer quando o acidente deixa sequela que reduz sua capacidade de trabalhar.

Essas indenizações podem ser acumuladas. Se o acidente causou dano moral, dano estético e prejuízo material, por exemplo, cada dano precisa ser analisado separadamente.

Além das indenizações, podem existir outros direitos.

Entram aqui CAT, benefício do INSS, estabilidade após retorno e FGTS durante afastamento. Cada ponto tem requisito próprio.

Quais provas ajudam em acidente por falta de EPI?

Não basta dizer que faltou EPI. O ideal é reunir provas de que a empresa não entregou, não treinou ou não fiscalizou.

Algumas provas que podem ajudar:

  • fotos e vídeos do local, da máquina, da atividade ou do equipamento danificado;
  • mensagens reclamando da falta de EPI ou pedindo troca;
  • ficha de entrega de EPI, quando existir;
  • informação do CA do equipamento;
  • comprovantes de treinamento ou ausência de treinamento;
  • CAT, atestados, prontuários e documentos do INSS;
  • nomes de colegas que viram como o trabalho era feito;
  • laudos, PGR, ordens de serviço e documentos de segurança da empresa.

A assinatura na ficha de EPI não resolve tudo

Mesmo quando existe ficha assinada, ainda é preciso olhar se o equipamento era o correto, se estava em bom estado, se havia troca, treinamento e fiscalização. Entregar EPI e abandonar o trabalhador na prática não é suficiente.

Como a Justiça analisa esse tipo de caso?

A Justiça olha se a empresa cumpriu o dever de prevenção. Isso inclui fornecer EPI correto, treinar, fiscalizar e trocar o equipamento quando necessário.

Em um caso julgado pelo TST, um cortador de cana sofreu um corte no pé usando EPI danificado.

O trabalhador perdeu parte da flexão do pé esquerdo. A decisão restabeleceu indenização por danos morais de R$ 35 mil, danos materiais e pensão mensal vitalícia.

O problema foi a falha da empresa em manter, repor e fiscalizar o uso adequado do equipamento.

Caso real na Justiça

No processo RR-10440-07.2015.5.15.0125, o TST analisou acidente com EPI danificado e reforçou que a obrigação da empresa não termina na entrega do equipamento. Também entram manutenção, reposição e fiscalização.

Também há decisões sobre ausência total de EPI ou equipamento essencial.

Em caso divulgado pelo TRT18, um carpinteiro perdeu o polegar direito ao usar serra circular sem o dispositivo de proteção adequado.

A empresa não comprovou o fornecimento do EPI principal, e o tribunal reconheceu a responsabilidade pelo acidente.

Conclusão

Falta de EPI pode aparecer de vários jeitos.

Também pode envolver EPI errado, vencido, danificado, sem CA, sem treinamento, sem troca ou sem fiscalização.

Se essa falha teve relação com o acidente ou com a gravidade da lesão, ela pode gerar responsabilidade da empresa e indenização.

O cuidado agora é organizar a prova. Guarde documentos médicos, CAT, mensagens, fotos, vídeos e nomes de colegas que possam explicar como o trabalho acontecia.

Depois disso, vale analisar quais direitos fazem sentido no seu caso.

Pode ser indenização, benefício do INSS, estabilidade, FGTS durante afastamento ou outros pontos ligados ao acidente.

Se você sofreu acidente de trabalho e quer entender melhor sua situação, a MDN Advocacia Trabalhista atende trabalhadores em casos de acidente, doença ocupacional e indenização.

Dúvidas frequentes

A falta de EPI gera indenização automática?

Não. É preciso analisar se a falha no EPI teve relação com o acidente, com a lesão ou com a piora do dano.

A empresa escapa se eu assinei ficha de EPI?

Não necessariamente. A ficha ajuda a empresa, mas não encerra a discussão. Ainda é preciso ver se o EPI era correto, estava em bom estado, tinha CA, foi trocado e era fiscalizado.

Se eu não usei o EPI, perco todos os direitos?

Depende. Para indenização, a culpa do trabalhador pode pesar bastante. Mas outros direitos, como CAT, benefício do INSS e estabilidade, seguem requisitos próprios.

Sua estimativa pode chegar aR$ 0.

Esse é um valor estimado. Um advogado precisa analisar os documentos e os detalhes do seu caso.

Falar com advogado