Valor da indenização por tendinite: como é calculado?

Não existe uma tabela capaz de dizer quanto uma pessoa receberá por tendinite. O valor depende do que aconteceu, do que foi provado e dos prejuízos que a doença causou.
Se você ainda está entendendo o diagnóstico, veja primeiro o que é tendinopatia no ombro.
Dois trabalhadores com o mesmo diagnóstico podem receber decisões diferentes. Um pode apresentar incapacidade permanente e nexo com o trabalho. O outro pode continuar trabalhando normalmente ou não conseguir demonstrar que a atividade causou ou agravou a doença.
A indenização pode reunir parcelas diferentes. Dano moral, despesas de tratamento, lucros cessantes e pensão não são a mesma coisa.
Existe uma tabela com o valor da indenização por tendinite?
Não existe uma tabela oficial com valores fixos para tendinite, bursite ou outra doença ocupacional.
O artigo 223-G da CLT traz critérios para o dano extrapatrimonial, como:
- a natureza do bem jurídico atingido;
- a intensidade do sofrimento ou da humilhação;
- a possibilidade de recuperação;
- a duração dos efeitos da ofensa;
- os reflexos pessoais e sociais;
- o grau de culpa;
- a situação econômica das partes.
A CLT também apresenta faixas de três, cinco, vinte e cinquenta vezes o último salário contratual, conforme a gravidade da ofensa.
Essas faixas, porém, não funcionam como teto absoluto porque, em 2023, o Supremo Tribunal Federal decidiu que elas servem como critério orientador. O juiz pode fixar valor superior quando fundamentar a decisão.
Portanto, são incorretas duas afirmações comuns:
- que toda tendinite tem um valor predeterminado;
- que nenhuma indenização trabalhista pode ultrapassar cinquenta salários.
As faixas do artigo 223-G tratam do dano extrapatrimonial. Elas não transformam despesas, lucros cessantes ou pensão em dano moral.
Quem tem direito à indenização por tendinite?
Ter um exame ou um CID não garante indenização automaticamente.
Em regra, um pedido de reparação contra a empresa exige a análise de três pontos:
- dano: a doença, a incapacidade ou outro prejuízo efetivo;
- nexo ou concausa: o trabalho causou, contribuiu ou agravou o problema;
- responsabilidade da empresa: normalmente envolve culpa, como omissão na prevenção, ergonomia inadequada ou manutenção do trabalhador em atividade incompatível com suas limitações.
Há responsabilidade objetiva quando a lei determina ou a atividade normalmente desenvolvida cria risco especial. Isso não significa que cozinheiros, bancários, operadores de caixa ou trabalhadores de produção ganhem qualquer processo apenas pela profissão.
O artigo 927 do Código Civil prevê a responsabilidade objetiva nessas hipóteses específicas. Fora delas, a regra geral continua exigindo a análise da conduta da empresa.
Se sua dúvida principal ainda é a origem da doença, veja como provar que o problema no ombro foi causado ou agravado pelo trabalho.
O que pode entrar no valor total?
O valor final pode ser formado por parcelas com objetivos diferentes:
| Parcela | O que procura reparar | O que costuma ser analisado |
|---|---|---|
| Despesas de tratamento | gastos necessários por causa da doença | recibos, notas, indicação médica e relação com a lesão |
| Lucros cessantes | o que a pessoa deixou de ganhar durante a recuperação | período de incapacidade e perda econômica demonstrada |
| Pensão | redução ou perda da capacidade para o ofício ou profissão | permanência da sequela, percentual de redução e remuneração |
| Dano moral | lesão à integridade, dignidade e vida pessoal | gravidade, duração, culpa, consequências e demais critérios da CLT |
| Dano estético ou existencial | alteração corporal ou prejuízo concreto à vida fora do trabalho | existência de dano próprio, diferente do dano moral genérico |
Nem todas essas parcelas aparecem em todo processo: pode haver dano moral sem pensão ou despesas comprovadas sem incapacidade permanente.
Despesas de tratamento
O artigo 949 do Código Civil permite discutir as despesas de tratamento e outros prejuízos provados.
Podem entrar medicamentos, consultas, fisioterapia, exames, deslocamentos e outros gastos necessários, desde que exista relação com a lesão e documentação adequada.
Guardar recibos e notas faz diferença. Uma estimativa genérica não tem a mesma força de uma despesa efetivamente comprovada.
Lucros cessantes durante a recuperação
Lucros cessantes são os valores que a pessoa deixou de ganhar enquanto estava incapaz, até o fim da convalescença.
Não é correto definir lucros cessantes pela fórmula salário menos benefício do INSS. A análise deve identificar a perda econômica daquele período, pois benefício previdenciário e indenização civil têm origens diferentes.
Quando a incapacidade é apenas temporária, a discussão fica restrita a esse período, enquanto o TST diferencia lucros cessantes temporários de pensão permanente.
Pensão por redução da capacidade
O artigo 950 do Código Civil prevê pensão quando a lesão impede o exercício do ofício ou profissão, ou reduz a capacidade para esse trabalho.
Aqui importam elementos como:
- caráter permanente ou duradouro da sequela;
- percentual de redução apurado na prova pericial;
- atividade exercida antes da doença;
- remuneração considerada;
- participação do trabalho no surgimento ou agravamento;
- pagamento mensal ou em parcela única.
A pensão não é benefício do INSS, e seu cálculo não se resume a multiplicar um percentual médico pelo salário e pela expectativa de vida. Concausa, base remuneratória, forma de pagamento e limites do pedido alteram o resultado.
Dano moral
O dano moral procura reparar uma lesão extrapatrimonial. Em doença ocupacional, o juiz observa a gravidade, o período de sofrimento, as limitações, a possibilidade de recuperação, a conduta da empresa e os demais critérios do artigo 223-G.
O diagnóstico isolado não revela a intensidade do dano. Uma tendinite temporária, já recuperada, não é avaliada da mesma forma que uma lesão que exige cirurgia e deixa incapacidade permanente.
Quais fatores mais alteram o valor?
Não existe um fator único. Os que mais costumam mudar a avaliação são:
- Relação da doença com o trabalho. É preciso demonstrar que o trabalho causou ou contribuiu para o adoecimento. A concausa também pode gerar responsabilidade, mas a participação do trabalho precisa ser provada.
- Incapacidade temporária ou permanente. Uma pessoa afastada por alguns meses está em situação diferente de quem não consegue mais exercer sua profissão. Essa diferença interfere especialmente nos danos materiais.
- Percentual e impacto da redução. O percentual pericial é importante, mas não deve ser lido sozinho. Uma limitação pequena pode ter grande impacto em uma profissão que depende dos braços acima da linha dos ombros.
- Remuneração e parcelas habituais. Nos pedidos de danos materiais, a remuneração pode influenciar a base de cálculo. Salário fixo, parcelas habituais e o período considerado precisam ser conferidos no processo.
- Despesas e tratamento futuro. Gastos já realizados e tratamento futuro indicado devem ser demonstrados. Não basta presumir que toda pessoa com tendinite terá as mesmas despesas.
- Conduta da empresa. Treinamento, pausas, ergonomia, ritmo, rodízio, resposta às queixas e respeito às restrições médicas ajudam a revelar se houve prevenção ou omissão. Em atividades repetitivas, também vale compreender o enquadramento da LER/DORT no trabalho.
- Qualidade das provas. Laudos, prontuários, exames, ASOs, documentos do INSS, descrição das tarefas, registros internos e testemunhas podem confirmar ou afastar partes importantes da história.
Exemplos reais: por que os valores são tão diferentes?
Os casos abaixo são decisões públicas que mostram os fatores analisados, sem prever o resultado de outro processo. Os valores são históricos, referentes às datas de cada julgamento, e não foram atualizados pela inflação.
Tendinite nos punhos: R$ 15 mil, mas sem nexo para o ombro
Em um caso julgado pelo TRT da 11ª Região, uma aplicadora de gráfica recebeu R$ 15 mil por danos morais.
A perícia relacionou a tendinite nos punhos aos movimentos repetitivos e identificou incapacidade parcial e temporária para atividades de risco.
No mesmo processo, porém, não foi reconhecido nexo entre o trabalho e a tendinite nos ombros, porque a atividade não apresentava movimentos repetitivos de elevação dos braços.
Por isso, o CID, sozinho, não determina a indenização.
Montador: R$ 20 mil de dano moral e pensão mensal
O TST manteve a condenação em um caso de montador de ônibus que desenvolveu tendinite e outras condições.
O Tribunal Regional havia reconhecido incapacidade parcial e permanente. Foram fixados R$ 20 mil por dano moral e pensão mensal de R$ 998 até os 65 anos.
A pensão apareceu porque havia redução permanente da capacidade. Ela não foi tratada como outro nome para o dano moral.
Doença agravada na cozinha: R$ 20 mil no total
Em outro processo, o TRT da 4ª Região reconheceu concausa entre o trabalho em cozinha e o agravamento da doença nos ombros.
Foram mantidos R$ 10 mil por danos morais e R$ 10 mil por danos materiais. A incapacidade era parcial e temporária.
O trabalho não precisava ser a única causa. A prova demonstrou que as atividades contribuíram para agravar o quadro e que a empresa não reduziu os riscos.
Tendinite no ombro sem indenização por falta de prova
Também há processos em que o pedido é negado. Em um caso divulgado pelo TRT da 4ª Região, a perícia não encontrou redução da capacidade e não foram comprovados os pressupostos necessários à responsabilização.
A trabalhadora tinha diagnóstico de tendinite no ombro e no cotovelo, mas isso não bastou para gerar dano moral ou material.
Como estimar o valor sem criar uma falsa promessa?
Uma análise responsável começa separando as parcelas. Pergunte:
- Houve despesas de tratamento? Quais estão comprovadas?
- Existiu período de incapacidade e perda econômica?
- Ficou uma sequela que reduz a capacidade para o ofício ou profissão?
- Quais consequências pessoais podem caracterizar dano moral?
- Existe dano estético ou existencial autônomo?
- O trabalho causou ou agravou a doença?
- Há elementos para responsabilizar a empresa?
Depois, compare a situação com decisões que tenham fatos próximos: mesma região lesionada, tipo de incapacidade, função, nexo, grau de culpa e espécies de dano.
Pesquisar apenas “quanto ganhou quem tinha tendinite” costuma produzir uma estimativa ruim. Um processo pode mencionar R$ 20 mil apenas de dano moral, enquanto outro apresenta um total muito maior porque inclui pensão por décadas.
Quais documentos ajudam na análise?
Organize:
- prontuários, relatórios, atestados e exames;
- ASOs admissional, periódicos, de retorno e demissional;
- CAT, se houver;
- decisões, laudos e comunicações do INSS;
- descrição do cargo e das tarefas efetivamente realizadas;
- registros de produção, pausas, horas extras e rodízio;
- mensagens sobre dor, restrições ou pedidos de mudança;
- recibos e notas de consultas, medicamentos e fisioterapia;
- documentos de remuneração;
- nomes de pessoas que conheciam sua rotina.
Essa documentação não garante resultado, mas permite identificar quais pedidos têm base e quais lacunas ainda precisam ser esclarecidas. Para um panorama das proteções possíveis, consulte também os direitos de quem tem uma doença no ombro pelo trabalho.
Para entender o caminho judicial, consulte o guia sobre processo por doença no ombro causada pelo trabalho. Se a dúvida é mais ampla, veja também os direitos de quem tem tendinopatia no ombro.
Precisa analisar os documentos e os prejuízos?
A MDN Advocacia atua com doenças ocupacionais e pode examinar o histórico do trabalho, as provas e as parcelas que podem ser discutidas no seu caso.
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O valor da indenização por tendinite não nasce de uma tabela. Ele depende da relação com o trabalho, da responsabilidade da empresa e da extensão de cada prejuízo.
O passo mais importante é não misturar as parcelas. Despesas, lucros cessantes, pensão e dano moral têm finalidades e provas diferentes.
Os exemplos públicos ajudam a compreender a lógica, mas não antecipam o resultado. Para chegar a uma estimativa responsável, é preciso analisar a documentação e comparar casos realmente semelhantes.
Dúvidas frequentes
Qual é o valor da indenização por tendinite no ombro?
Não há valor fixo. Nexo com o trabalho, incapacidade, despesas, remuneração, conduta da empresa e qualidade das provas alteram a decisão.
Existe tabela de indenização por tendinite?
Não. A CLT traz critérios e faixas orientativas para danos extrapatrimoniais, mas o STF decidiu que essas faixas não são um teto absoluto. Elas também não calculam despesas, lucros cessantes ou pensão.
Tendinite dá direito a pensão?
Pode dar quando a doença relacionada ao trabalho deixa redução da capacidade para o ofício ou profissão e estão presentes os demais requisitos da responsabilidade civil. Uma incapacidade apenas temporária não deve ser transformada automaticamente em pensão permanente.
Posso processar a empresa por tendinite?
É possível discutir indenizações quando houver dano, relação com o trabalho e responsabilidade da empresa. Antes de ajuizar, é importante identificar quais pedidos têm prova e quais fatos ainda dependem de perícia.
Quanto é a indenização por bursite?
O diagnóstico de bursite também não tem preço fixo. A análise segue a mesma lógica: nexo ou concausa, responsabilidade, incapacidade, despesas e demais prejuízos comprovados.
Benefício do INSS reduz automaticamente a indenização?
Não se deve fazer uma subtração automática porque benefício previdenciário e indenização civil têm fundamentos diferentes. O cálculo de cada parcela precisa seguir sua natureza e os fatos do processo.
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