Acidente de trabalho no braço: direitos, tratamento e sequelas
Você machucou o braço no trabalho e agora precisa de ajuda para carregar uma peça ou segurar uma ferramenta?
Conte ao médico o que mudou, mesmo que ainda consiga mexer o braço.
Você pode conseguir levar um copo à boca e ainda ficar sem condições de apertar uma ferramenta durante toda a jornada.
Conte como o braço reage ao esforço que seu trabalho exige.
Aqui você vai ver o que guardar desde o atendimento, como explicar essas dificuldades e quem pode pagar pelo período sem trabalhar e pelos prejuízos do acidente.
O que fazer depois de machucar o braço no trabalho?
Cuide do braço
Procure atendimento médico, principalmente se houver suspeita de fratura ou ferimento profundo.
Fotografar o local e discutir o acidente com a empresa podem esperar até você receber assistência.
Não force o braço para tentar demonstrar que consegue continuar trabalhando.
No atendimento, conte qual tarefa estava fazendo, como se machucou e qual lado foi atingido.
Se uma peça prendeu sua mão ou uma ferramenta cortou o antebraço, explique como isso aconteceu.
Comunique o acidente
Depois, comunique o acidente à empresa e peça a Comunicação de Acidente de Trabalho, a CAT.
Guarde o aviso e a resposta que recebeu.
Se a empresa não emitir, veja quem pode registrar a CAT e como fazer isso.
Guarde os documentos do atendimento
O prontuário registra o que foi observado no atendimento, enquanto o atestado informa o afastamento indicado.
Peça uma cópia dos dois e guarde com os exames.
O roteiro de primeiros passos após o acidente ajuda a organizar as próximas providências.
Como explicar as dificuldades do braço na consulta?

Segurar peças e carregar peso
Se antes você segurava uma peça sozinho e agora ela escapa da mão, conte isso na consulta. Informe o peso, quanto tempo precisava segurá-la e se passou a depender de ajuda.
Usar ferramentas
Ao falar da ferramenta, explique se ficou difícil girar, apertar ou mantê-la firme. Diga também por quanto tempo repete esse movimento no trabalho, porque fazer uma vez exige um esforço diferente de fazer durante toda a jornada.
Trabalhar com o braço elevado
Se trabalha com o braço elevado, conte até onde consegue alcançar, quanto tempo aguenta nessa posição e quais tarefas precisou deixar de fazer.
Fazer tarefas de precisão
Informe qual mão usa nas tarefas de precisão e se o acidente atingiu esse lado.
O que pedir no relatório
Peça que o relatório médico descreva as limitações observadas e as atividades que precisam de restrição.
Se o laudo apresentar uma porcentagem para a lesão, peça ao profissional que explique como ela se relaciona às suas tarefas.
Quem precisa carregar peso ou fazer movimentos precisos pode ter dificuldades diferentes com a mesma lesão.
Se houve perda de dedo ou de parte da mão, veja as orientações sobre perda de dedo no trabalho e amputação após acidente.
Quem paga se eu precisar parar de trabalhar?
Salário e benefício durante o afastamento
- Primeiros 15 dias
Se você é empregado de uma empresa, ela paga os primeiros 15 dias de afastamento.
- Se passar de 15 dias
Quando a lesão impede seu trabalho por mais de 15 dias consecutivos, o INSS pode pagar o benefício por incapacidade temporária.
Para receber, você precisa estar coberto pela Previdência quando ficar incapaz.
Essa cobertura pode decorrer do trabalho, das contribuições ou do período em que a lei mantém a proteção depois que você para de contribuir.
O INSS também verifica se a lesão impede o trabalho que costuma fazer, por isso os documentos médicos devem explicar as limitações do braço.
Em caso de acidente, não é preciso completar um número mínimo de contribuições mensais. Essa exigência se chama carência.
Guarde atestados, protocolos, decisões do INSS e os documentos entregues à empresa para conferir as datas, os pagamentos e se o afastamento foi reconhecido como decorrente do acidente.
Veja como pedir o benefício no guia de afastamento por acidente de trabalho.
Proteção contra demissão
Depois que termina o benefício por incapacidade decorrente do acidente de trabalho, a regra geral é que a empresa não possa demitir o empregado sem justa causa por 12 meses. Essa proteção se chama estabilidade.
Se o INSS concedeu o benefício sem reconhecer a relação com o trabalho, um advogado pode usar os registros do acidente e do atendimento para discutir esse reconhecimento e a estabilidade.
Leve também as decisões do INSS. Veja quando existe estabilidade.
Alta do INSS com retorno impedido
Se você recebeu alta do INSS, mas a empresa impediu seu retorno e deixou de pagar, guarde o registro de que se apresentou e a resposta que recebeu.
Veja o que fazer quando há alta do INSS e retorno impedido pela empresa.
Quando a empresa pode ter que indenizar a lesão no braço?
Você pode cobrar da empresa os prejuízos do acidente quando houver responsabilidade dela pelo que aconteceu.
Uma falha de segurança pode demonstrar essa responsabilidade; nas situações previstas em lei, ela também pode decorrer do risco da atividade.
Se a máquina prendeu seu braço, por exemplo, conte como você alcançava a peça, qual proteção havia e o que a empresa orientava fazer quando o material ficava preso ou o equipamento precisava de limpeza.
Guarde os registros de treinamento, mas descreva também como o trabalho era feito.
Ter assinado uma ficha não esclarece se havia proteção adequada ou como você precisava usar a máquina.
Para cobrar as despesas de tratamento e outros prejuízos, você precisa demonstrar o dano, a relação com o trabalho e a responsabilidade da empresa.
Se a lesão reduziu sua capacidade para exercer a profissão, pode caber uma pensão.
Registre também alterações na aparência do braço e os efeitos do acidente na sua vida, porque esses prejuízos precisam de prova própria.
O valor da indenização depende desses prejuízos, por isso não há uma quantia única para braço quebrado, corte ou lesão de tendão.
O guia de indenizações explica o que pode ser cobrado, e a página sobre requisitos para receber mostra como comprovar o pedido.
Voltei ao trabalho, mas meu braço não funciona como antes. E agora?
Registre as mudanças nas tarefas
Se você voltou, mas a empresa retirou tarefas ou passou a colocar alguém para ajudar, guarde os registros dessa mudança. Eles ajudam a mostrar que o braço ainda limita seu trabalho, mesmo com o retorno.
Conte ao médico também se passou a usar mais o outro braço. Peça que os relatórios registrem as restrições e as adaptações necessárias.
Auxílio-acidente do INSS
Quando a lesão já se estabilizou e deixou uma redução permanente da capacidade para o trabalho que você fazia, pode haver direito ao auxílio-acidente.
A perícia do INSS avalia essa redução, e você pode receber o benefício enquanto continua trabalhando.
Empregados de empresas e empregados domésticos estão entre os trabalhadores que podem receber.
Também estão incluídos os trabalhadores avulsos, que prestam serviço por intermédio do sindicato ou do órgão gestor de mão de obra, e os segurados especiais, como quem trabalha na agricultura familiar.
Você precisa estar coberto pelo INSS na data do acidente.
Quem contribui como autônomo fica de fora. Também fica de fora quem contribui como segurado facultativo, sem exercer atividade remunerada.
Para empregados domésticos, o acidente precisa ter ocorrido a partir de 1º de junho de 2015.
O guia de auxílio-acidente explica as categorias de trabalhadores e como pedir.
Pensão paga pela empresa
Também pode caber uma pensão paga pela empresa, se houver responsabilidade dela pelo acidente e redução da sua capacidade para exercer a profissão.
Veja como se avalia a pensão pela redução da capacidade profissional.
E se o problema apareceu aos poucos?
Se o problema começou aos poucos, com força, repetição ou trabalho com o braço elevado, conte há quanto tempo faz essas tarefas e quando os sintomas apareceram.
Veja o conteúdo sobre problemas no ombro causados pelo trabalho.
Quais documentos ajudam a esclarecer o acidente no braço?
Guarde os documentos do acidente e do tratamento na ordem das datas, junto dos registros das tarefas que você fazia.
Separe o que já tem:
- Prontuários, exames e relatórios: o lado atingido, o que foi encontrado, os tratamentos e as limitações observadas.
- Avisos à empresa, CAT e testemunhas: quando, onde e em qual tarefa ocorreu o acidente.
- Descrição das atividades e registros de adaptação: ferramentas, pesos, movimentos e mudanças no trabalho depois da lesão.
- Receitas e comprovantes: o tratamento indicado e quanto você pagou.
- Atestados e decisões do INSS: os períodos de afastamento e o resultado dos pedidos.
Se faltar algum documento, anote onde foi atendido e para quem comunicou o acidente.
O guia de documentos mostra o que pedir ao hospital, à empresa e ao INSS.
Leve o que já reuniu a um advogado que atue com acidentes de trabalho para conferir os pedidos ao INSS, os pagamentos e a responsabilidade da empresa.
Informe se está afastado, se voltou com restrições ou se recebeu aviso de demissão.
No atendimento da MDN sobre acidentes de trabalho, a equipe pode examinar esses documentos com você e orientar os próximos pedidos.
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Fontes consultadas
As orientações foram conferidas na Lei 8.213/1991, no Código Civil e nas páginas do INSS sobre incapacidade temporária e auxílio-acidente.
A orientação de procurar assistência para fraturas consta do Hospital Geral São Mateus, da Secretaria da Saúde de São Paulo.
A explicação das categorias de trabalhadores segue a página do INSS sobre tipos de filiação.