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CID da perda auditiva: entenda H90, H91 e H83.3

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Trabalhador lendo um laudo e uma audiometria para entender o CID da perda auditiva
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Você abriu um atestado, relatório ou laudo de audiometria e encontrou H90.3, H90.4, H91.9 ou H83.3.

Qual deles é o CID da perda auditiva? Quem busca por CID perda auditiva encontra todos esses códigos, embora cada um registre uma informação diferente.

Não existe um único código para todos os casos.

Na CID-10 usada no Brasil, H90, H91 e H83.3 identificam grupos diferentes.

O código ajuda a identificar o que o profissional registrou.

Para saber a intensidade e o impacto da perda, é preciso ler o restante do documento.

Já a relação com o trabalho exige uma análise própria.

Qual é o CID da perda auditiva?

Comece pela letra e pelos dois primeiros números, que mostram o grupo da CID-10 usado no diagnóstico.

Grupo O que você encontra nele
H90 Perdas por transtorno de condução, neurossensoriais ou mistas
H91 Outras perdas, como ototóxica, presbiacusia, súbita idiopática e não especificada
H83.3 Efeitos do ruído sobre o ouvido interno

O Brasil continua utilizando a CID-10 em 2026.

O cronograma do Ministério da Saúde prevê o início do uso integral da CID-11 em janeiro de 2027.

As tabelas abaixo seguem a classificação H90-H95 publicada pelo DATASUS.

Antes de localizar o subcódigo, vale entender três expressões:

  • perda condutiva está ligada à condução do som;
  • perda neurossensorial envolve o sistema responsável por receber e transmitir o estímulo auditivo;
  • perda mista combina componentes condutivos e neurossensoriais.

O tipo, a intensidade e o impacto da perda precisam ser lidos no documento médico completo, não apenas no CID.

O que significa CID H90?

O grupo H90 mostra o tipo da perda e, em vários subcódigos, também informa a lateralidade.

Código Significado na CID-10 Tradução para a leitura do documento
H90.0 Perda de audição bilateral devida a transtorno de condução Perda condutiva nos dois ouvidos
H90.1 Perda de audição unilateral por transtorno de condução, sem restrição de audição contralateral Perda condutiva em um ouvido
H90.2 Perda de audição não especificada devida a transtorno de condução Perda condutiva sem detalhamento suficiente no código
H90.3 Perda de audição bilateral neurossensorial Perda neurossensorial nos dois ouvidos
H90.4 Perda de audição unilateral neurossensorial, sem restrição de audição contralateral Perda neurossensorial em um ouvido
H90.5 Perda de audição neurossensorial não especificada Perda neurossensorial sem lateralidade detalhada no código
H90.6 Perda de audição bilateral mista, de condução e neurossensorial Perda mista nos dois ouvidos
H90.7 Perda de audição unilateral mista, de condução e neurossensorial, sem restrição de audição contralateral Perda mista em um ouvido
H90.8 Perda de audição mista, de condução e neurossensorial, não especificada Perda mista sem lateralidade detalhada no código

O H90.3 recebe muitas buscas porque descreve perda neurossensorial bilateral.

Esse código ainda não informa a causa nem o impacto da perda na sua atividade.

Também não existe H90.9 na árvore oficial H90 consultada.

Se esse número aparecer em uma página da internet, confira a fonte e o documento original antes de tratá-lo como um subcódigo válido.

O que significa CID H91?

O H91 reúne “outras perdas de audição”.

A tabela abaixo mostra quais perdas aparecem em cada subcódigo.

Código Significado na CID-10 Tradução para a leitura do documento
H91.0 Perda de audição ototóxica Perda associada ao efeito tóxico de uma substância sobre a audição
H91.1 Presbiacusia Perda auditiva associada ao envelhecimento
H91.2 Perda de audição súbita idiopática Perda súbita sem causa definida nessa classificação
H91.3 Surdo-mudez não classificada em outra parte Nome utilizado pela classificação oficial para essa condição específica
H91.8 Outras perdas de audição especificadas Outra perda descrita, sem código mais específico neste grupo
H91.9 Perda de audição não especificada O código registra a perda, mas não informa o tipo

É fácil encontrar H91.0 descrito como perda súbita em conteúdos na internet.

A classificação oficial diz outra coisa: H91.0 é perda ototóxica; H91.2 é perda súbita idiopática.

Se o seu documento traz H91.9, procure o diagnóstico por extenso e a conclusão dos exames.

“Não especificada” significa que aquela linha do código não oferece os detalhes que você está buscando.

Qual é o CID da perda auditiva por ruído e da PAIR?

O código H83.3 identifica os efeitos do ruído sobre o ouvido interno.

Na atual Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho, ele está ligado à exposição ocupacional a ruído elevado.

O Ministério da Saúde descreve a PAIR como uma perda gradual, causada pela exposição continuada ao ruído.

Ela é neurossensorial, geralmente bilateral e irreversível.

H90.3 e H83.3 podem aparecer na mesma investigação, mas não significam a mesma coisa:

  • H90.3 descreve a perda bilateral neurossensorial;
  • H83.3 registra efeitos do ruído no ouvido interno.

Nenhum dos dois prova, por si só, que o trabalho causou a perda.

A investigação compara o histórico clínico e profissional com a exposição e a sequência de audiometrias. Também considera outras causas.

PAIR gradual e perda súbita após explosão são a mesma coisa?

Não. A PAIR se desenvolve gradualmente com a exposição continuada.

Uma perda percebida de repente, após uma explosão ou outro impacto acústico, exige avaliação clínica própria.

O código encontrado ajuda a organizar a informação, mas o diagnóstico depende da avaliação de saúde.

Se a perda começou de repente, procure atendimento médico sem esperar que uma consulta na internet resolva a causa.

Toda perda auditiva relacionada ao trabalho é PAIR?

Não. Além do ruído, substâncias químicas e vibração também podem afetar a audição no trabalho.

Por esse motivo, a LDRT relaciona o H91.0 a determinadas substâncias ocupacionais. Já a NR-7 orienta a considerar agentes ototóxicos e vibração, isolados ou combinados com ruído.

A investigação não pode olhar apenas o barulho. Também precisa considerar a função, os produtos utilizados e o histórico de exposição.

Onde o código apareceu no seu documento?

O significado do CID não muda, mas a finalidade do papel muda bastante.

No atestado

O atestado registra uma informação de saúde e, quando indicado, o período de afastamento.

O código não determina uma quantidade fixa de dias. Essa decisão vem da avaliação do profissional.

No relatório ou laudo médico

O relatório detalha o diagnóstico e registra como o quadro foi avaliado. Essas informações explicam muito mais do que a linha do CID.

Na audiometria ocupacional

A audiometria registra os limiares auditivos e ajuda a identificar o tipo e o padrão da perda.

Uma medição isolada não revela toda a evolução nem o impacto funcional.

No acompanhamento ocupacional, a NR-7 compara o exame de referência com os exames sequenciais.

A norma exige o acompanhamento de quem está exposto acima dos níveis de ação, mesmo com o uso de protetor auditivo.

No INSS ou em uma perícia

O código é apenas uma das informações analisadas. Para avaliar a capacidade de trabalhar, é preciso comparar as limitações com as exigências da função.

A discussão sobre doença ocupacional também precisa verificar a relação entre a perda e o trabalho.

O que o CID informa e o que ele não prova sozinho?

As cinco camadas da análise

  1. CID: qual classificação foi registrada?
  2. Audiometria: qual é o tipo, o padrão e a evolução da perda?
  3. Déficit funcional: como a audição afeta a comunicação e as atividades?
  4. Capacidade laboral: quais exigências da função foram afetadas?
  5. Relação com o trabalho: o emprego causou, agravou ou contribuiu para a perda?

Uma camada ajuda a orientar a seguinte, mas não a substitui.

Mesmo com o CID correto, outras dúvidas dependem do restante da avaliação.

O CID pode informar O restante da avaliação precisa completar
A classificação registrada O diagnóstico por extenso e a hipótese clínica completa
O tipo da perda em vários subcódigos O grau, o padrão e a evolução na audiometria
A lateralidade em códigos específicos As limitações de comunicação e o impacto funcional
A referência a ruído em H83.3 A exposição real e a relação com o trabalho
O nome de uma condição em H91 A capacidade para a função e as consequências jurídicas

Uma perda leve ainda pode afetar determinada atividade.

Por outro lado, o código H90, sozinho, não garante nenhum direito.

CID H90 é considerado deficiência auditiva ou PCD?

Não automaticamente. O código H90 descreve a perda registrada.

O enquadramento como pessoa com deficiência auditiva segue critérios próprios.

A Lei 14.768/2023 trata da limitação auditiva de longo prazo. Ela abrange a perda unilateral total e a bilateral parcial ou total, observada a interação com barreiras.

Como valor de referência, a lei usa a média de 41 decibéis ou mais nas frequências de 500, 1.000, 2.000 e 3.000 Hz.

Ela também permite outros instrumentos de avaliação compatíveis com a Lei Brasileira de Inclusão.

Não use esse valor para interpretar a NR-7 nem para calcular o déficit funcional em uma perícia. São avaliações diferentes.

CID de perda auditiva dá afastamento, benefício ou indenização?

O CID, sozinho, não gera nenhuma dessas consequências.

O afastamento depende da avaliação clínica e da capacidade para a atividade naquele momento.

Benefícios do INSS e indenizações têm requisitos próprios.

Na discussão trabalhista, é preciso avaliar o dano e sua relação com o trabalho.

O impacto muda com as tarefas da função.

Algumas atividades exigem comunicação por rádio, percepção de alarmes e localização de sons; outras têm demandas auditivas diferentes.

Se a suspeita é de origem ocupacional, comece pelo nosso guia sobre doença ocupacional.

Para entender as consequências possíveis, consulte também os direitos de quem tem uma doença ocupacional.

Encontrei um CID de perda auditiva: o que conferir agora?

Leia o documento inteiro e organize as informações por data. Confira:

  • o que foi diagnosticado: código, descrição por extenso, ouvido afetado, tipo e grau registrados;
  • como o exame evoluiu: laudo da audiometria atual e exames anteriores, com suas datas;
  • como a perda aparece no dia a dia: dificuldade de entender fala, perceber sinais, usar telefone ou executar tarefas da função;
  • quais exposições existiram: ruído, produtos químicos, vibração, tempo em cada atividade e registros ambientais disponíveis;
  • quais outros fatores foram avaliados: idade, medicamentos, ruído fora do trabalho, doenças anteriores e exames complementares;
  • o que aconteceu depois: tratamento, restrições, afastamentos, mudança de função e reavaliações.

O PGR e os registros ambientais ajudam a reconstruir a exposição. Documentos de períodos anteriores e fichas de protetor auditivo também entram no conjunto.

A ficha do protetor, sozinha, não encerra a investigação.

Não peça a troca do CID apenas porque encontrou outro número na internet. Se o código não combinar com o diagnóstico por extenso ou deixar uma dúvida real, leve o documento ao profissional que o emitiu.

Guarde também a sequência de audiometrias. Um único exame mostra apenas um momento; a série ajuda a entender a evolução.

Depois de entender o CID, qual é a sua dúvida?

Conclusão

H90, H91 e H83.3 não são códigos concorrentes. Eles classificam informações diferentes sobre a perda auditiva.

  1. Localize o subcódigo e leia o diagnóstico por extenso.
  2. Compare a sequência de exames e observe como a perda afeta a comunicação e as tarefas da função.
  3. Confira se houve exposição a ruído ou a outros agentes no trabalho.

Esses passos deixam claro que o CID não fecha o diagnóstico nem determina direitos.

A perda auditiva pode ter relação com o seu trabalho?

Organize os relatórios e as audiometrias em ordem de data. Separe também o histórico das funções e os registros de exposição.

A equipe da MDN partirá do que já está documentado para identificar os pontos que ainda precisam ser esclarecidos.

Dúvidas frequentes

Qual é o CID da perda auditiva bilateral?

Depende do tipo: H90.0 é condutiva, H90.3 é neurossensorial e H90.6 é mista.

O que significa CID H90.3?

H90.3 significa perda de audição bilateral neurossensorial.

O código informa o tipo e a bilateralidade.

Causa, grau e incapacidade exigem avaliações próprias.

O que significa CID H90.4?

H90.4 significa perda neurossensorial unilateral.

A descrição oficial acrescenta “sem restrição de audição contralateral”.

O que significa CID H90.5?

H90.5 significa perda de audição neurossensorial não especificada.

Procure no restante do documento a lateralidade, o grau e a conclusão do exame.

O que significa CID H91.9?

H91.9 significa perda de audição não especificada.

Ele registra a existência da perda sem informar o tipo nessa linha da classificação.

H90.3 é o CID da PAIR?

H90.3 descreve perda neurossensorial bilateral, um tipo compatível com a PAIR. Os efeitos do ruído sobre o ouvido interno aparecem em H83.3.

A conclusão sobre PAIR exige história de exposição, exames e avaliação clínica e ocupacional.

H83.3 prova que a perda foi causada pelo trabalho?

Não sozinho. H83.3 registra efeitos do ruído sobre o ouvido interno.

A relação com o trabalho depende da exposição real, da evolução dos exames e da análise de outras causas.

CID H90 é considerado deficiência?

Não automaticamente. O enquadramento segue a Lei 14.768/2023, não apenas o código H90.

H90.3 e H903 são a mesma coisa?

Sim. H903 é uma forma comum de escrever H90.3 sem o ponto.

Para conferir a descrição, use a grafia completa da CID-10.

Existe CID H90.9?

Não na árvore oficial H90 consultada no DATASUS.

O grupo vai de H90.0 a H90.8.

Uma única audiometria basta para saber a causa e a incapacidade?

Não. O exame isolado mostra apenas um momento.

Para avaliar a causa e a evolução, entram outras informações e os exames anteriores.

O impacto funcional e a capacidade para a atividade também exigem avaliação própria.

Fontes consultadas

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