Queimadura no trabalho: o que fazer e quais direitos podem existir
Procure atendimento primeiro. Não adie o cuidado para tirar fotos, buscar testemunhas, avisar a empresa ou identificar a fonte da queimadura.

Se você sofreu uma queimadura enquanto trabalhava, não pare para tirar fotos, procurar testemunhas ou se preocupar com a CAT antes de cuidar da lesão.
Procure atendimento primeiro.
Depois, guarde os documentos médicos e registre como o acidente aconteceu. Se a queimadura ocorreu por causa do serviço, ela pode ser um acidente de trabalho.
Este guia explica quais informações vale a pena preservar, o que muda quando a fonte foi calor, eletricidade ou produto químico e quais direitos podem ser analisados.
A existência da queimadura, sozinha, não garante indenização.
É preciso entender sua ligação com o trabalho, os prejuízos sofridos e a responsabilidade da empresa no caso concreto.
Procure atendimento antes de pensar nas provas
Atendimento primeiro
Procure atendimento de urgência e siga o que os profissionais de saúde orientarem, sem adiar o cuidado para fotografar a lesão, localizar testemunhas, avisar a empresa ou identificar a fonte da queimadura.
Depois, guarde os documentos que receber, como prontuário, atestado, receita e exame.
Esses documentos comprovam a lesão e registram o atendimento, mesmo que não tragam uma conclusão sobre ser ou não acidente de trabalho.
Você também não precisa dar um nome técnico à queimadura: essa avaliação cabe aos profissionais de saúde.
Fotos tiradas sem atrasar o atendimento podem mostrar como a lesão apareceu naquele momento, enquanto mensagens e relatos ajudam a reconstruir o acidente.
Nenhum desses registros, sozinho, substitui os documentos médicos ou uma perícia quando ela for necessária.
Queimadura durante o serviço pode ser acidente de trabalho?
Comece pelo que você estava fazendo, onde estava e o que provocou a queimadura. Esses fatos ajudam a mostrar como o acidente se ligou ao serviço.
A Lei 8.213/1991 considera acidente do trabalho o fato ligado ao serviço que causa uma lesão e deixa a pessoa sem poder trabalhar ou reduz sua capacidade de trabalhar, por algum tempo ou de forma permanente.
Ela também cobre algumas situações fora do local onde a pessoa costuma trabalhar; por isso, um local incomum ou uma tarefa fora da rotina não descartam, sozinhos, a relação com o trabalho.
Na prática, você precisa ligar três fatos: o que aconteceu, a queimadura e o trabalho que era feito. A Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) registra informações importantes sobre o evento, mas não é a única prova possível.
A empresa deve enviar a CAT até o primeiro dia útil seguinte ao acidente e, em caso de morte, imediatamente.
Se ela não fizer isso, o próprio trabalhador, seus dependentes, o sindicato, o médico ou uma autoridade pública podem registrar a comunicação.
Mesmo sem a CAT, prontuários, mensagens, testemunhas e outros registros continuam úteis. O serviço oficial da CAT explica como fazer o registro.
O que vale a pena registrar depois do atendimento
Depois de receber atendimento, escreva o que aconteceu enquanto você ainda se lembra bem. Anote a data, o local, a tarefa que estava fazendo, como aconteceu a queimadura e quem estava presente.
Quando puder, avise a empresa por escrito, guarde a conversa e peça uma cópia da CAT para conferir se as informações correspondem ao acidente. Se a empresa se recusar a emitir o documento, você pode usar uma das alternativas explicadas na seção anterior.
Anote também o que causou a queimadura, mas não volte ao local nem se coloque em risco apenas para descobrir essa informação.
Guarde os rótulos, as fotos, as mensagens e os documentos que já estiverem com você. A tabela da próxima seção mostra outros registros que podem existir na empresa, mas você não precisa procurar tudo sozinho.
Guarde também a CAT e os documentos que mostram o que aconteceu depois do acidente, como atestados, comprovantes de gastos, restrições médicas e mensagens sobre a volta ao trabalho.
Você não precisa produzir uma prova perfeita. Neste primeiro momento, o mais importante é preservar as informações que podem desaparecer com o tempo.
A fonte da queimadura muda os documentos úteis
Os registros úteis mudam conforme a queimadura veio do calor, da eletricidade ou de um produto químico. Essa divisão, também usada pelo Conselho Federal de Enfermagem, serve aqui apenas para organizar o que pode ajudar a esclarecer o acidente.
Ela não indica tratamento nem prevê a evolução da lesão.
O que identificar e preservar depois do atendimento
Os registros úteis mudam conforme a fonte da queimadura. Não volte ao local nem se exponha a risco para obtê-los.
Queimadura térmica
Se a fonte foi água ou óleo quente, chama, vapor, metal aquecido ou explosão, não olhe apenas para o equipamento de proteção. O recipiente, a máquina, uma barreira de segurança e a forma como a tarefa era feita também podem ajudar a explicar o acidente.
Em 2026, o TRT da 15ª Região divulgou um caso de queimadura por água fervente em que foram analisados a limpeza realizada, uma testemunha, a CAT, o treinamento e as medidas de prevenção.
A decisão vale para aquele processo, mas mostra por que é importante registrar a tarefa e as condições reais do ambiente.
Queimadura elétrica
Este guia cobre o acidente em que uma descarga ou um arco elétrico causou a queimadura. Ele não trata dos outros efeitos do choque nem do adicional pago por trabalho perigoso, conhecido como adicional de periculosidade.
A NR-10 traz regras para trabalhos com eletricidade, mas o que se aplica depende da atividade realmente realizada, não apenas do nome da profissão.
Em uma notícia oficial sobre queimadura por descarga elétrica, o TRT da 15ª Região relata que a perícia avaliou se a luva servia para aquela atividade.
Esse ponto ajudou a decidir aquele caso, mas não vale automaticamente para todo acidente elétrico.
Queimadura química
Se a queimadura veio de um contato repentino com ácido, base, cimento, solvente ou outro produto no trabalho, anote o nome do produto e como aconteceu o contato.
Este artigo trata desse acidente pontual. Irritações ou alergias causadas por contato repetido e a discussão sobre adicional de insalubridade são assuntos diferentes.
Depois do atendimento, preserve o rótulo e a ficha com dados de segurança que já estiverem acessíveis. A NR-26 prevê essa ficha para produto químico classificado como perigoso.
Não volte ao local nem colete amostra para obter esses dados.
O nome do produto e a forma do contato ajudam a ligar a queimadura ao acidente, mas não provam, sozinhos, toda a responsabilidade da empresa.
Quando a empresa pode responder pela queimadura
Para pedir que a empresa pague pelos prejuízos, é preciso mostrar que a queimadura se ligou ao serviço e quais danos ela causou. Também é preciso entender por que o acidente aconteceu.
A causa pode estar, por exemplo, em um procedimento inseguro, falta de manutenção, informação insuficiente sobre o risco, treinamento que não servia para a tarefa ou proteção inadequada.
Se uma conduta contrária à lei causar dano, pode surgir o dever de repará-lo. Essa regra está nos artigos 186 e 927 do Código Civil.
Quando o próprio trabalho expõe a pessoa com frequência a um risco acima do comum, pode haver responsabilidade mesmo sem prova de culpa da empresa. O nome jurídico dessa regra é responsabilidade objetiva, reconhecida pelo STF no Tema 932.
Nem o tipo da queimadura nem o nome da profissão resolvem essa questão sozinhos: é preciso olhar a atividade real, o risco que ela criava e como o acidente ocorreu.
Se a dúvida principal for a proteção fornecida, consulte o guia sobre acidente por falta de EPI.
Quais direitos podem existir depois de uma queimadura?
Os direitos dependem do que aconteceu depois do acidente. Se a pessoa precisou se afastar e preencheu os requisitos legais, pode haver benefício do INSS ligado ao acidente e, em algumas situações, estabilidade depois do retorno.
Se a empresa tiver responsabilidade pelo acidente, também pode haver reparação pelos prejuízos causados. Gastos com tratamento e perda de renda são consequências materiais; dor, medo e outras repercussões pessoais podem levar à análise de dano moral.
Uma cicatriz ou alteração duradoura no corpo pode ser examinada como dano estético. Se houver redução permanente da capacidade para o trabalho, também pode existir direito a pensão.
Nada disso é automático, e uma consequência não prova a outra. Uma pessoa pode ter cicatriz ou gastos sem incapacidade permanente, por exemplo.
Por isso, os documentos médicos, os comprovantes e os registros do acidente precisam ser analisados conforme a dúvida concreta.
Qual guia consultar para a sua situação
Sofrimento, cicatriz, gastos, afastamento e redução da capacidade levam a análises diferentes, e nenhuma delas tem valor definido apenas pela fonte da queimadura ou pela parte do corpo atingida.
Encontre o guia para a sua dúvida
Escolha a situação que mais se aproxima da sua dúvida.
| Sua situação ou dúvida | Guia que pode ajudar |
|---|---|
| Você sofreu dor, medo ou outro abalo emocional | Indenização por acidente de trabalho |
| Ficou uma cicatriz ou outra alteração duradoura no corpo | Dano estético por acidente de trabalho |
| A proteção faltou ou não servia para a tarefa | Acidente por falta de EPI |
| Você teve gastos com tratamento ou prevê despesa futura | Quem paga as despesas do acidente |
| Você recebeu restrição ou encontrou dificuldade para voltar ao trabalho | Acidente de trabalho com sequelas |
| Houve redução permanente da capacidade para trabalhar | Pensão por acidente de trabalho |
| Você se afastou ou pediu benefício | Afastamento por acidente de trabalho |
| Você tem dúvida sobre a manutenção do emprego | Estabilidade por acidente de trabalho |
| A empresa não emitiu ou recusou a CAT | Comunicação de Acidente de Trabalho |
| Você tem dúvida sobre como demonstrar o acidente | Como provar o acidente de trabalho |
| Você precisa reunir e conferir os documentos | Documentos para o processo |
Próximo passo depois de uma queimadura no trabalho
Reúna os documentos médicos, a CAT se ela existir, as mensagens sobre o acidente e os registros que já estiverem com você. Não é preciso organizar uma prova perfeita antes de buscar orientação.
Se a queimadura estiver ligada ao trabalho e houver problema com a CAT, afastamento, cicatriz, limitação ou dúvida sobre a responsabilidade da empresa, você pode buscar orientação.
Quer entender o que os seus documentos permitem analisar?
Conte à equipe da MDN como a queimadura aconteceu e envie os documentos que já tem.
Falar com a equipe pelo WhatsAppDúvidas frequentes
A empresa não emitiu a CAT. Ainda é possível provar a queimadura no trabalho?
Sim. A falta da CAT não impede, sozinha, a análise do acidente.
Documentos médicos, comunicações, testemunhas e registros do evento cumprem funções diferentes.
Além disso, outras pessoas e entidades podem emitir a comunicação quando a empresa não faz isso.
Veja o passo a passo no guia da Comunicação de Acidente de Trabalho.
Queimadura sem afastamento pode gerar indenização?
Sim, em alguns casos. O afastamento não é o único critério: ainda é preciso verificar o dano, a ligação com o trabalho e a responsabilidade da empresa.
Uma cicatriz, um gasto ou outra consequência pode existir sem incapacidade permanente, mas cada prejuízo precisa ser demonstrado.
Dano moral e dano estético podem ser analisados no mesmo caso?
Sim. O STJ admite que as indenizações por dano moral e dano estético sejam cobradas no mesmo caso, mas elas tratam de consequências diferentes e cada uma precisa ser demonstrada.
A cicatriz, sozinha, não define o valor. Veja os critérios no guia de dano estético e a visão geral sobre indenizações.
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