Quanto tempo dura o afastamento por hérnia de disco?

Seu atestado vence nesta semana, mas a dor continua e você ainda não consegue cumprir a jornada. Precisa voltar mesmo assim ou pode permanecer afastado?
Não existe uma tabela que dê 15, 30 ou 90 dias para toda pessoa com hérnia de disco.
O tempo necessário muda conforme as limitações, as exigências do trabalho e a evolução durante o tratamento.
Para quem é empregado de uma empresa, os primeiros 15 dias consecutivos ficam sob responsabilidade do empregador. Se a incapacidade continuar, será preciso pedir o benefício ao INSS, que fará a própria análise.
Existe um número certo de dias de afastamento por hérnia de disco?
Uma resposta fechada seria enganosa porque o diagnóstico não mostra, sozinho, como a doença interfere na função.
Um auxiliar de logística que não consegue erguer uma caixa pode precisar parar completamente. Já alguém do setor administrativo, mesmo com uma alteração parecida na ressonância, talvez consiga trabalhar com pausas e ajuste de cadeira.
Para quem dirige, o problema pode estar nas horas sentado e na vibração do veículo. Na consulta, conte ao médico qual posição ou movimento você já não suporta e como reage ao tratamento.
Ressonância e CID não trazem um prazo pronto
A ressonância e o CID ajudam a identificar o problema, mas não medem a sua capacidade para trabalhar. Essa conclusão exige comparar o quadro clínico com as tarefas que fazem parte da jornada.
O CID M51, por exemplo, reúne diferentes transtornos dos discos intervertebrais. Duas pessoas com esse código podem ter sintomas, limitações e trabalhos completamente diferentes.
Se o atestado traz M54.5, consulte o que esse código significa e o que ele não informa sozinho.
Também não se descobre pela imagem, isoladamente, se o serviço causou ou agravou a hérnia. Essa investigação é explicada no artigo sobre o nexo entre a hérnia de disco e o trabalho.
Como funciona o afastamento, do atestado ao retorno
Para quem trabalha em uma empresa, o caminho mais comum passa por quatro etapas:
-
1
O médico indica o período
Você confere o atestado, entrega à empresa e guarda o comprovante.
-
2
A empresa cobre os primeiros dias
Para o empregado de empresa, o empregador mantém o salário por até 15 dias consecutivos.
-
3
Você pede o benefício ao INSS
Se ainda não consegue trabalhar, o pedido pode ser feito a partir do 16º dia.
-
4
A decisão informa a data final
Quando receber a decisão, confira se é hora de organizar a volta ou pedir prorrogação.
O benefício não começa sozinho no 16º dia. A partir dali, você precisa fazer o pedido e apresentar os documentos para que o INSS analise o caso.
Comece pelo atestado e guarde a entrega
Confira se o atestado está legível e traz data, período de afastamento, identificação e assinatura do profissional.
Ao enviá-lo pelo canal indicado pela empresa, guarde uma cópia e o comprovante de recebimento. Assim, fica registrada a data em que o RH soube da ausência.
O documento entregue ao empregador nem sempre precisa trazer o CID. A Resolução CFM nº 2.381/2024 protege o sigilo e define quando o diagnóstico pode ser informado.
Para o INSS, a exigência é diferente: o documento médico deve indicar a doença ou o CID e o período estimado de repouso.
Nos primeiros 15 dias, quem paga é a empresa
Para o empregado de uma empresa, o salário dos primeiros 15 dias consecutivos continua sendo pago pelo empregador.
A regra está no artigo 60 da Lei nº 8.213/1991 e no artigo 75 do Decreto nº 3.048/1999.
Essa divisão não funciona do mesmo jeito para todo segurado. Empregado doméstico, contribuinte individual e outras categorias têm regras próprias para o início do benefício.
Passou de 15 dias? Faça o pedido ao INSS
Se a incapacidade continuar, o empregado pode pedir o benefício por incapacidade temporária, ainda conhecido como auxílio-doença. O requerimento é feito pelo Meu INSS ou pelo telefone 135.
O laudo com o diagnóstico de hérnia não encerra a análise. O INSS verifica se o quadro realmente impede a sua atividade habitual e se os requisitos previdenciários estão preenchidos.
Vários atestados de hérnia podem ser somados?
Não existe uma soma automática de qualquer atestado apresentado dentro de 60 dias. O que a legislação prevê são situações específicas em que afastamentos pelo mesmo motivo se relacionam.
Se o empregado completa 15 dias, retorna e precisa se afastar novamente pelo mesmo problema antes de 60 dias, por exemplo, o benefício pode começar já na nova saída.
Para saber se a regra alcança o caso, é preciso reconstruir as datas.
O mesmo cuidado vale para quem recebeu benefício e voltou a se afastar pouco depois do encerramento: a data da alta, o retorno e o novo atestado precisam ser vistos em conjunto.
Guarde até os atestados curtos e anote o último dia trabalhado, os retornos e o número de cada requerimento no INSS. Sem essa sequência, fica fácil errar a conta.
O atestado deve refletir a avaliação clínica, e não ser fracionado para tentar alcançar uma regra. Se o RH ou o INSS relacionar as ausências, peça que informe quais datas entraram na conta.
O que enviar ao INSS para pedir o afastamento?
Na ressonância não aparece que você precisou parar três vezes para terminar a jornada ou que já não consegue descarregar o caminhão. Os documentos precisam aproximar o diagnóstico dessa realidade.
O que cada documento ajuda a explicar
A pasta fica mais clara quando cada papel responde a uma dúvida diferente.
O atestado registra o período indicado e identifica o profissional.
O relatório descreve sintomas, tratamento e limitações observadas.
As imagens mostram as alterações investigadas, mas não definem a incapacidade.
Descreva peso, postura, direção, repetição e o ritmo da sua rotina.
Guarde requerimentos, decisões, espécie do benefício e datas.
Junte CAT e documentos ocupacionais quando houver essa suspeita.
Um bom relatório descreve sintomas, tratamento, perda de força, dificuldade de movimento e o tempo estimado de incapacidade.
Não é preciso pedir ao médico uma conclusão jurídica. O que ajuda é um registro clínico claro, coerente com os exames e com a rotina relatada.
A perícia precisa ser presencial?
O pedido começa online. Isso não garante que a análise será feita a distância.
O INSS pode decidir pelos documentos ou chamar você para uma avaliação presencial.
A página oficial do auxílio por incapacidade temporária informa quais modalidades estão disponíveis no momento do pedido.
Se houver convocação, leve os documentos do período discutido.
Conte como é a sua rotina, sem aumentar nem esconder nada. O relato precisa combinar com o histórico de saúde e com o trabalho que você realmente executa.
Quanto tempo o INSS pode manter o benefício?
A decisão do INSS já vem com uma data prevista para o fim do benefício, definida a partir da incapacidade reconhecida.
Não há duração reservada à hérnia lombar, à cervical ou a um CID específico.
Quando a resposta sair, confira estes dados antes de fechar a tela:
- quando o benefício começou;
- qual é a data prevista para terminar;
- se a espécie concedida foi B31 ou B91;
- qual valor foi calculado.
Na data marcada, o benefício pode terminar, ser prorrogado ou levar a uma avaliação de reabilitação.
Mesmo depois de meses, não há transformação automática em aposentadoria. Esse benefício exige outra análise, explicada no artigo sobre aposentadoria por incapacidade permanente em casos de hérnia de disco.
Se você continua incapaz, não perca o prazo da prorrogação
Abra a decisão e localize a data final.
Se você continua incapaz, peça a prorrogação do benefício nos últimos 15 dias antes do encerramento. Depois da alta, o caminho pode ser outro.
Em caso de negativa ou cessação, leia o motivo antes de decidir o que fazer.
A falta de um documento, a avaliação da incapacidade ou a data usada pelo INSS podem mudar o caminho entre recurso e novo pedido.
B31 ou B91: por que essa sigla importa?
Na carta de concessão, procure a espécie do benefício.
B31 significa que o INSS tratou a incapacidade como comum. B91 indica natureza acidentária, ligada a acidente ou doença do trabalho.
No B91, a empresa mantém os depósitos do FGTS durante o afastamento e pode haver estabilidade após a alta. O B31 não produz esses efeitos sozinho.
Se o trabalho pode ter causado ou piorado a hérnia, reúna a descrição das tarefas, a evolução dos sintomas e os documentos ocupacionais.
Junte também a Comunicação de Acidente de Trabalho, quando existir.
A CAT comunica a suspeita, mas a natureza do benefício será definida pelo INSS a partir do conjunto de documentos.
O guia sobre afastamento por acidente ou doença do trabalho aprofunda B91, FGTS e estabilidade.
Como voltar ao trabalho sem ignorar as restrições?
A data final do atestado ou do benefício não significa que você já consegue reassumir a mesma carga, postura e ritmo.
Quando o empregado ficou afastado por 30 dias ou mais, a NR-7 exige exame clínico antes da volta.
Nessa avaliação, também deve ser considerada a necessidade de retorno gradativo.
Leve relatórios recentes e explique as tarefas reais.
Se ainda existe restrição para peso, direção, postura ou movimento, peça que ela fique registrada.
Antes de reassumir a função, faça esta conferência
Separe relatórios, exames recentes e as limitações que continuam presentes.
Explique sua rotina e pergunte se a volta precisa ser gradativa ou ter restrições.
O peso, a postura e o ritmo precisam respeitar o que ficou registrado.
Não saia do exame com dúvida. Peça uma cópia do ASO e confira se as restrições discutidas aparecem no documento.
A empresa precisa comparar essas restrições com o posto disponível.
Isso não garante mudança definitiva de função, mas impede que o retorno seja tratado como se nada tivesse acontecido.
O INSS deu alta, mas você continua sem condições. O que fazer?
Mesmo que você discorde da alta, apresente-se à empresa e entregue os documentos médicos que explicam a sua condição.
Se a medicina do trabalho considerar você inapto, peça uma cópia do Atestado de Saúde Ocupacional. Registre também eventual recusa ao retorno.
Depois, use as datas para verificar se cabe prorrogação, recurso, novo pedido ou discussão sobre os salários do período.
Aqui, um dia fora do lugar pode mudar bastante a análise.
Afastamento por hérnia dá estabilidade ou aposentadoria?
O atestado e o diagnóstico não criam, por si sós, estabilidade de 12 meses.
Essa proteção costuma estar ligada à natureza ocupacional da doença e ao retorno depois de benefício acidentário, embora o nexo também possa ser reconhecido mais tarde.
O guia posso ser demitido com hérnia de disco? explica as diferentes situações.
O tempo já passado em benefício também não garante aposentadoria.
Para concedê-la, o INSS precisa reconhecer incapacidade permanente e impossibilidade de reabilitação para uma atividade que assegure a subsistência.
O que fazer agora
O próximo passo depende de onde você está agora: ainda nos primeiros dias de atestado, diante de um pedido ao INSS, perto da alta ou tentando voltar com restrições.
Qual destas situações é a sua hoje?
Entregue o documento, guarde o comprovante e acompanhe a evolução.
Confirme o último dia trabalhado e faça o pedido ao INSS.
Organize tarefas, cronologia, CAT e documentos ocupacionais.
Se você continua incapaz, confira agora o prazo da prorrogação.
Guarde os documentos e registre o que foi exigido no retorno.
Se houver suspeita de relação com peso, postura forçada, repetição ou vibração, guarde a descrição das tarefas, as mensagens ao RH e os documentos de saúde ocupacional.
O guia sobre hérnia de disco no trabalho e seus direitos explica como esse material se conecta aos demais direitos.
Conclusão: o prazo nasce do seu quadro, não de uma tabela
Em vez de procurar um número pronto, observe o que você consegue fazer hoje, o que a função exige e em qual etapa do afastamento você está.
Essa combinação — e não apenas o CID — orienta o atestado, o pedido ao INSS e a volta ao trabalho.
Guarde as datas e os documentos de cada etapa. Eles ajudam a identificar quem era responsável pelo pagamento e qual providência ainda pode ser tomada no prazo.
Precisa entender o seu afastamento?
Se você já tem atestados, documentos do INSS e informações sobre a sua função, a equipe da MDN pode analisar o material e explicar quais pontos precisam ser avaliados.
Ver como funciona a consultaDúvidas frequentes
Quantos dias de atestado uma pessoa com hérnia de disco pode receber?
Não existe quantidade fixa. O profissional estima o período a partir dos sintomas, das limitações, do tratamento e do trabalho realizado.
Hérnia de disco dá atestado de 15, 30 ou 90 dias?
Pode haver atestados com essas durações, mas nenhum número é automático. Os 15 dias apenas marcam, para o empregado de empresa, a possível passagem do pagamento ao INSS.
Quem paga o afastamento por hérnia de disco?
Para o empregado de uma empresa, o empregador paga os primeiros 15 dias consecutivos. Depois disso, o INSS pode pagar o benefício se reconhecer a incapacidade e os demais requisitos.
Vários atestados pela mesma hérnia podem ser somados?
As regras podem relacionar afastamentos pelo mesmo motivo dentro de 60 dias. É preciso conferir datas, retornos e eventual benefício anterior; a soma não é automática.
Hérnia de disco dá direito ao auxílio por incapacidade temporária?
Pode dar quando a hérnia impede o segurado de exercer temporariamente a atividade habitual. O diagnóstico sem incapacidade comprovada não basta.
Precisa colocar CID no atestado entregue à empresa?
Não em todo caso. A Resolução CFM nº 2.381/2024 protege o sigilo e define quando o diagnóstico pode constar. Para o INSS, a documentação tem exigências próprias.
O INSS pode negar mesmo com ressonância e laudo?
Pode. Além dos exames, o INSS analisa a incapacidade para a atividade habitual, as datas e os requisitos previdenciários.
Quando pedir prorrogação do benefício?
Se você continuar incapaz, faça o pedido nos últimos 15 dias antes da data prevista para o encerramento.
Quem volta depois de 30 dias precisa fazer exame de retorno?
Sim. A NR-7 exige exame clínico antes da volta quando o afastamento por doença ou acidente foi igual ou superior a 30 dias.
Afastamento por hérnia gera estabilidade?
Não automaticamente. A estabilidade costuma envolver doença relacionada ao trabalho e benefício de natureza acidentária, embora o nexo também possa ser reconhecido depois.
Fontes oficiais consultadas
As regras e os procedimentos foram conferidos em 1º de agosto de 2026. Como serviços administrativos podem mudar, confirme a versão atual ao fazer o pedido.
- Lei nº 8.213/1991 — benefício por incapacidade e primeiros 15 dias
- Decreto nº 3.048/1999 — benefício temporário e afastamentos dentro de 60 dias
- Gov.br — solicitar auxílio por incapacidade temporária
- INSS — auxílio por incapacidade temporária, documentos e prorrogação
- Ministério do Trabalho e Emprego — NR-7
- Conselho Federal de Medicina — Resolução CFM nº 2.381/2024
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