Acidente de Trabalho
Doença do Trabalho
Acidente de Trabalho
Doença do Trabalho

CID M75 e M75.1 no ombro: o que o laudo realmente diz

Compartilhar
Trabalhador analisando laudo médico com CID M75 e M75.1 sobre problema no ombro
Compartilhar

Se apareceu CID M75 ou CID M75.1 no seu atestado, laudo, exame ou relatório médico, trate isso como uma pista importante.

Mas não como a resposta inteira.

O código indica um problema no ombro. Ele não mostra, por si só, a causa da lesão, a sua limitação no trabalho ou se existe algum direito contra a empresa.

A leitura correta começa por aí: entender o que o documento diz e, principalmente, o que ele ainda não diz.

O que o CID M75 informa

O CID é uma classificação médica. Ele ajuda a identificar doenças e condições de saúde em atestados, relatórios, sistemas médicos e documentos do INSS.

No caso do CID M75, a classificação fica dentro do grupo de lesões e problemas do ombro.

Por isso, o código pode aparecer junto de termos como dor, tendinite, bursite, capsulite, manguito rotador ou limitação de movimento.

O problema é que o CID não descreve a história completa.

Para entender o peso do documento, ainda é preciso saber:

  • qual estrutura do ombro foi afetada;
  • qual exame confirmou ou sugeriu a lesão;
  • se existe restrição para pegar peso, repetir movimentos ou elevar o braço;
  • se a rotina de trabalho combina com esse tipo de lesão;
  • se há incapacidade para a função atual.

Um atestado com CID ajuda. Um relatório com diagnóstico, exame e limitação ajuda muito mais.

A diferença entre CID M75 e CID M75.1

Quando o documento traz apenas CID M75, ele está usando o grupo geral de lesões do ombro.

É uma informação ampla. Ela aponta a região do problema, mas ainda não mostra o diagnóstico com detalhe.

O CID M75.1 é mais específico. Ele costuma aparecer ligado à síndrome do manguito rotador.

O manguito rotador é um conjunto de tendões e músculos que participa da força e dos movimentos do ombro. Um dos tendões mais citados em laudos é o supraespinhoso.

Esse tipo de alteração pode aparecer em quem sente dor ao levantar o braço, perda de força, dor noturna ou dificuldade para carregar peso.

Também pode piorar em tarefas repetitivas ou em atividades com braço elevado.

Ainda assim, o código não aponta automaticamente a causa.

O mesmo CID pode aparecer depois de anos de sobrecarga no trabalho, depois de uma queda, em um quadro degenerativo ou em uma mistura de fatores.

Por isso, o laudo precisa ser lido junto com sua função, seus sintomas e a evolução do problema.

Outros códigos M75 que podem aparecer

Dentro do grupo M75, o subcódigo ajuda a entender melhor o diagnóstico. Esta tabela serve como tradução inicial.

Código Como costuma aparecer O que ainda precisa ser visto
M75 Lesões do ombro Qual é a lesão descrita no laudo e quais exames confirmam.
M75.0 Capsulite adesiva do ombro Grau de rigidez, perda de movimento e evolução do tratamento.
M75.1 Síndrome do manguito rotador Tendão afetado, intensidade da lesão e restrições funcionais.
M75.2 Tendinite bicipital Relação com esforço, repetição, dor e exame de imagem.
M75.3 Tendinite calcificante do ombro Extensão da calcificação e impacto na função.
M75.4 Síndrome de colisão do ombro Movimentos que pioram a dor e limitação para trabalhar.
M75.5 Bursite do ombro Inflamação, limitação e fatores que podem agravar.
M75.8 Outras lesões do ombro Qual condição concreta foi descrita pelo médico.
M75.9 Lesão do ombro não especificada Por que o documento não detalhou melhor o diagnóstico.

A tabela não substitui o laudo.

Ela apenas ajuda você a não ficar perdido diante do código.

Se o seu exame fala em supraespinhoso ou supraespinhal, veja também o artigo sobre tendinopatia do supra-espinhoso.

Quando o laudo traz só o código

Um atestado com CID M75.1 pode justificar uma ausência curta.

Para discutir trabalho, afastamento, restrição ou possível doença ocupacional, normalmente falta mais informação.

O documento fica mais útil quando traz diagnóstico por extenso, exame analisado, tratamento indicado e restrições funcionais.

Ao olhar o documento, procure mais do que o CID. Veja se há diagnóstico por extenso, laudo de ressonância ou ultrassom, indicação de fisioterapia ou cirurgia, restrição para peso/repetição/braço elevado e prazo de afastamento ou reavaliação.

Compare duas situações.

Um papel com “CID M75” diz pouco.

Um relatório que descreve lesão no manguito, perda de força, dor para elevar o braço e restrição para peso já conta uma história mais clara.

Também importa a sequência dos documentos.

Um atestado isolado mostra um momento. Atestados repetidos, exames, receitas, fisioterapia e relatório médico mostram a evolução do problema.

Quando o trabalho entra na análise

A pergunta trabalhista não é apenas “qual é o CID?”.

A pergunta é: o que no trabalho pode ter causado, agravado ou acelerado esse problema no ombro?

Essa análise olha para a rotina real.

Movimentos repetitivos, força, postura forçada, braço acima da linha dos ombros, vibração, ritmo intenso, poucas pausas e levantamento de peso podem ser relevantes.

O momento da dor também ajuda.

Ela começou depois de mudança de posto? Piorou com aumento de produção? Voltou quando você retornou para a mesma função? A empresa sabia da restrição?

Essas perguntas não substituem perícia ou avaliação médica.

Elas servem para tirar o caso do achismo.

Se essa for a sua dúvida principal, o próximo conteúdo é como provar doença no ombro causada pelo trabalho.

CAT, CEREST e INSS depois do CID

Esses nomes costumam aparecer logo depois do diagnóstico. Só que cada um responde a uma pergunta diferente.

A CAT entra quando há suspeita de acidente ou doença relacionada ao trabalho.

Ela não transforma qualquer dor no ombro em doença ocupacional. O que dá peso à CAT é o conjunto: documentos médicos, rotina compatível e sinais de relação com a atividade.

O serviço oficial de registro da CAT fica no gov.br.

O CEREST pode ajudar quando a dúvida é saúde do trabalhador.

Em alguns casos, ele orienta, avalia a relação entre atividade e adoecimento e ajuda nos encaminhamentos.

Se a empresa se recusa a tratar o caso como ocupacional, esse caminho pode ganhar importância.

O INSS analisa incapacidade.

Ter CID M75 no atestado não garante benefício. O que pesa é se você está sem condições de trabalhar, por quanto tempo e com quais documentos.

O pedido de benefício por incapacidade temporária tem orientação oficial no gov.br.

A empresa também precisa ser comunicada quando há atestado, restrição médica, cirurgia indicada ou limitação que afete a função.

Se tudo fica só em conversa, depois pode ser difícil mostrar que ela sabia do problema.

Para onde ir depois de entender o CID

Se você ainda está organizando a situação inteira, comece pelo guia sobre problema no ombro por causa do trabalho.

Se a dúvida é provar que a rotina causou ou piorou a lesão, vá para como provar doença no ombro causada pelo trabalho.

Se você já quer entender direitos possíveis, veja direitos de quem tem doença no ombro pelo trabalho.

Se a situação já envolve conflito com a empresa, demissão, perícia ou ação judicial, leia processo por doença no ombro causada pelo trabalho.

O cuidado é não pular etapas.

Primeiro entenda o documento. Depois veja se existe limitação. Em seguida, avalie a rotina de trabalho. Só então faz sentido falar em prova, direitos ou processo.

Conclusão

CID M75 e CID M75.1 ajudam a entender o documento médico, mas não fecham a análise.

O código pode indicar uma lesão ou condição no ombro.

Para saber o peso disso no trabalho, é preciso olhar o diagnóstico por extenso, os exames, as restrições, a evolução dos sintomas e a rotina da função.

A leitura prudente é essa: não tratar o CID como direito automático e não desprezar o documento quando ele aparece junto de dor, limitação e sobrecarga no ombro.

Dúvidas frequentes

CID M75 significa o quê?

CID M75 é o grupo de classificações ligado a lesões e condições do ombro. Para entender melhor o caso, olhe o subcódigo, o laudo e o relatório médico.

CID M75.1 é síndrome do manguito rotador?

Em geral, sim. CID M75.1 costuma aparecer relacionado à síndrome do manguito rotador.

O exame e o relatório ajudam a entender qual estrutura foi afetada e qual limitação existe.

CID M75 prova doença do trabalho?

Não. O CID mostra um diagnóstico ou suspeita médica no ombro.

A relação com o trabalho depende da rotina, dos fatores de risco, dos documentos médicos e, em muitos casos, de avaliação técnica.

CID M75 dá direito a afastamento pelo INSS?

Não automaticamente.

O INSS analisa incapacidade para o trabalho, documentos médicos e requisitos do benefício. O CID pode fazer parte da documentação, mas não decide tudo.

O que fazer se o atestado só tem CID M75?

Guarde o atestado.

Depois, tente reunir documentos mais completos: relatório médico, exames, laudos, receitas, fisioterapia, restrições e documentos do INSS, se houver afastamento.

Bursite, tendinite e manguito podem ter relação com trabalho?

Podem, especialmente quando a atividade envolve repetição, força, braço elevado, postura forçada ou sobrecarga.

Mesmo assim, é preciso analisar o caso concreto.

Posso ser demitido tendo CID M75 no atestado?

Depende. O CID, sozinho, não impede toda demissão.

A análise muda se houver afastamento acidentário, restrição médica ignorada, doença ocupacional, tratamento em andamento ou indícios de discriminação.

Sua estimativa pode chegar aR$ 0.

Esse é um valor estimado. Um advogado precisa analisar os documentos e os detalhes do seu caso.

Falar com advogado