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CID do burnout: Z73.0 ou QD85? O que aparece no seu atestado

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Documento sobre uma mesa mostrando a comparação entre os códigos Z73.0 e QD85 do burnout
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Você recebeu um atestado ou relatório com o código Z73.0. Foi pesquisar o que significa e encontrou várias páginas dizendo que o CID do burnout agora é QD85.

Pronto. Além de lidar com o esgotamento, você começou a se preocupar se o documento está errado, antigo ou se não vai servir para nada.

Calma, não é bem assim.

Em 2026, o Brasil ainda utiliza a CID-10. Nela, o esgotamento profissional aparece como Z73.0. O QD85 pertence à CID-11, cuja implementação integral nos sistemas brasileiros está prevista para janeiro de 2027.

Por isso, receber um documento com Z73.0 hoje não significa que o profissional usou um código vencido.

Mas já vou te adiantar outro ponto importante: nem Z73.0 nem QD85 provam, sozinhos, afastamento, relação com o trabalho ou direito à estabilidade.

Neste artigo, vou te mostrar o que cada código significa, por que os dois aparecem e o que você realmente precisa observar no documento.

Qual é o CID do burnout em 2026?

Vou começar pela informação que deveria estar clara em todo conteúdo sobre o assunto:

Z73.0 x QD85: o que muda de verdade

Os dois códigos falam de burnout, mas pertencem a revisões diferentes da classificação.

Z73.0 CID-10
Registro
Esgotamento, código associado ao burnout.
Classificação
Problemas relacionados com a organização do modo de vida.
Brasil
Continua sendo utilizado nos sistemas brasileiros em 2026.

Situação atual: classificação de uso corrente no país.

QD85 CID-11
Registro
Burnout definido como fenômeno ocupacional.
Classificação
Fatores que influenciam a saúde ou o contato com serviços.
Brasil
Está em implementação, com uso integral previsto para janeiro de 2027.

Situação atual: nova revisão em processo de adoção.

Situação brasileira consultada em 13/07/2026 no Ministério da Saúde. Janeiro de 2027 é uma previsão oficial.

A CID-11 entrou em vigor internacionalmente em 2022. Isso é verdade.

Também é verdade que cada país precisa adaptar sistemas, formulários, treinamento e regras de codificação antes de utilizá-la por completo.

Segundo o cronograma oficial do Ministério da Saúde, o início do uso integral da CID-11 no Brasil está previsto para janeiro de 2027. Até lá, o país continua utilizando a CID-10 de 2019.

É daí que vem boa parte da confusão.

Você pode encontrar QD85 em publicações, materiais técnicos e documentos que tomem a CID-11 como referência. Ao mesmo tempo, Z73.0 continua aparecendo nos sistemas e documentos brasileiros.

Um código não é automaticamente “mais forte” do que o outro. O que importa é entender qual classificação foi usada, o conteúdo completo do documento e a finalidade para a qual ele foi emitido.

O que significa o CID Z73.0?

Na CID-10, a letra Z reúne situações que influenciam a saúde ou levam uma pessoa a procurar um serviço de saúde, embora não sejam classificadas ali como doenças.

O grupo Z73 trata de problemas relacionados com a organização do modo de vida. Dentro dele, o Z73.0 corresponde ao esgotamento.

Não deixe a letra Z te enganar.

O fato de o burnout aparecer nessa parte da classificação não significa que o sofrimento seja leve, inventado ou que você não possa estar sem condições de trabalhar.

Significa apenas que precisamos separar o código de outros pontos da avaliação.

Uma pessoa com Z73.0 pode apresentar exaustão intensa, dificuldade de concentração, alterações de sono, irritabilidade e perda de rendimento. Também pode ter depressão, ansiedade ou outro transtorno associado.

Quem vai avaliar isso é o profissional de saúde, não a letra do CID isolada no papel.

Outro detalhe importante: a atual Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho inclui o Z73.0 - Esgotamento (Burnout) e o relaciona a diversos fatores psicossociais.

Entram nessa lista problemas de gestão, jornada, organização das tarefas, relações sociais, assédio, discriminação e outras situações do ambiente de trabalho.

Isso é muito relevante, mas não significa que todo Z73.0 será automaticamente reconhecido como doença ocupacional.

Para saber se o trabalho causou, contribuiu ou agravou o quadro, é preciso conhecer sua história e as condições reais em que você trabalhava.

O que significa o CID QD85?

Na CID-11, o burnout recebeu o código QD85 e uma definição mais detalhada.

Para a Organização Mundial da Saúde, ele resulta do estresse crônico no trabalho que não foi administrado com sucesso e aparece em três dimensões:

  1. exaustão ou falta de energia;
  2. distanciamento, negatividade ou cinismo em relação ao trabalho;
  3. redução da eficácia profissional.

A Organização Mundial da Saúde também diz que o burnout é um fenômeno ocupacional, não uma condição médica, dentro da CID-11.

Como assim, Allan? Então burnout não é doença e meu sofrimento não vale nada?

Não. A OMS não disse isso.

Ela apenas colocou o burnout em uma categoria específica da classificação. Isso não elimina os sintomas, a necessidade de tratamento ou a possibilidade de incapacidade para o trabalho.

Também não impede que a mesma pessoa apresente uma condição médica, como depressão ou transtorno de ansiedade, que poderá receber outro código depois da avaliação.

O QD85 tem outra característica importante: ele se refere ao burnout no contexto ocupacional. Não é o código indicado para descrever qualquer cansaço, sobrecarga familiar ou esgotamento em outras áreas da vida.

Por isso, teste online e vídeo de rede social não fecham essa avaliação.

Por que Z73.0 e QD85 aparecem ao mesmo tempo no Brasil?

Porque uma classificação internacional não muda todos os sistemas brasileiros da noite para o dia.

Pense na quantidade de lugares que utilizam a CID: hospitais, clínicas, prontuários eletrônicos, operadoras, empresas, sistemas de vigilância e órgãos públicos.

Não basta publicar um código novo. É preciso traduzir a classificação, adaptar os sistemas, testar, treinar profissionais e preservar os dados que já vinham sendo registrados.

Foi por isso que o Brasil adotou um período de transição.

Como chegamos a dois códigos para o burnout

A vigência internacional da CID-11 e a adoção nos sistemas brasileiros não aconteceram na mesma data.

  1. CID-11 aprovada

    A Assembleia Mundial da Saúde endossa a nova revisão.

  2. Vigência internacional

    A CID-11 entra em vigor globalmente em 1º de janeiro.

  3. Brasil em transição

    A CID-10 continua em uso enquanto sistemas e profissionais são preparados.

  4. Previsão de uso integral

    É a data prevista pelo Ministério da Saúde, sujeita à confirmação oficial.

Fonte: cronograma de implementação da CID-11 no Brasil, consultado em 13/07/2026.

A CID-11 já existe e o QD85 é o código internacional do burnout nessa revisão. Mas a CID-10 continua sendo a classificação corrente no país até a implementação integral prevista pelo Ministério da Saúde.

Então, se apareceu Z73.0 no seu atestado, não peça para o profissional trocar o código apenas porque uma página da internet disse que ele não vale mais.

Pergunte por que aquele código foi utilizado e leia o restante do documento.

Se apareceu QD85, também vale confirmar com quem emitiu o documento e com a instituição que vai recebê-lo qual classificação e formato são aceitos naquele procedimento.

Essa conversa resolve mais do que tentar colecionar códigos para deixar o atestado aparentemente “mais forte”.

O CID precisa aparecer no atestado de burnout?

Não. O CID não precisa aparecer em todo atestado médico.

Essa informação costuma surpreender porque muita empresa exige o código como se ele fosse um item obrigatório em qualquer situação.

Pela Resolução CFM 2.381/2024, o médico só deve incluir o diagnóstico, com código ou por extenso, quando houver justa causa, dever legal ou solicitação do próprio paciente ou de seu representante.

Quando a inclusão acontecer a pedido do paciente, essa concordância precisa estar expressa no atestado e registrada na ficha clínica ou no prontuário.

Portanto, a ausência do CID não torna o atestado automaticamente inválido.

Também não adianta olhar apenas para a sigla e ignorar todo o resto.

Na prática, os documentos cumprem funções diferentes:

  • o atestado de afastamento informa a necessidade e o período de dispensa do trabalho;
  • o relatório pode explicar o quadro, a evolução, as limitações e a conduta adotada;
  • o prontuário reúne os registros produzidos durante o atendimento.

Se você está organizando seus documentos, recomendo nosso artigo sobre o prontuário médico em casos de burnout.

O que o CID prova e o que ele não prova sozinho

É aqui que muita informação na internet começa a dar errado.

A pessoa pesquisa QD85 e encontra uma sequência automática: burnout, doença do trabalho, B91, estabilidade, aposentadoria e indenização.

Seria simples se funcionasse assim. Mas não funciona.

O que cabe dentro do código — e o que fica de fora

O CID registra uma parte da avaliação. As outras respostas dependem do seu quadro e dos fatos do trabalho.

O CID ajuda a identificar
  • A classificação utilizada pelo profissional.
  • O quadro registrado naquele documento.
  • Uma parte do histórico de saúde.
O CID não prova sozinho
  • Quantos dias de afastamento são necessários.
  • Incapacidade ou relação com o trabalho.
  • B31, B91, estabilidade, aposentadoria ou indenização.

Guarde esta diferença: código, incapacidade, nexo e direito são respostas diferentes.

Vamos separar isso de uma forma simples.

Código é uma coisa. Ele organiza a informação registrada pelo profissional.

Incapacidade é outra. Duas pessoas com o mesmo CID podem ter limitações completamente diferentes. Uma pode precisar de afastamento; a outra, não.

Nexo com o trabalho também precisa ser analisado. Entram nessa avaliação a história clínica e ocupacional, jornada, metas, assédio, sobrecarga, mudanças no trabalho, documentos e outros elementos.

Se essa é a sua dúvida, temos um conteúdo específico sobre como provar a relação entre burnout e trabalho.

Somente depois vêm as consequências jurídicas.

B31, B91, CAT, estabilidade e indenização possuem requisitos próprios. O código pode fazer parte da análise, mas não substitui esses requisitos.

Para entender essa parte sem misturar tudo, confira o nosso guia sobre os direitos trabalhistas de quem sofre com burnout.

Quem avalia o burnout e quais documentos podem acompanhar o código?

O burnout não deveria ser diagnosticado por uma lista de sintomas da internet.

A avaliação precisa considerar o que você sente, quando os sintomas começaram, como está sua rotina de trabalho e se existe outra condição que explique ou acompanhe o quadro.

Um médico pode realizar a avaliação clínica e emitir os documentos médicos necessários. Dependendo do caso, o acompanhamento por psiquiatra ou médico do trabalho pode ser importante.

O psicólogo também possui um papel muito relevante.

Ele pode avaliar condições psicológicas e emitir documentos dentro de sua área de atuação. Pela Resolução CFP 6/2019, o uso da CID em atestado psicológico é facultativo quando for justificadamente necessário.

Avaliação médica e avaliação psicológica não são a mesma coisa, mas podem se complementar.

Por isso, não tente escolher o código antes da consulta. Conte o que está acontecendo, apresente a sua rotina e deixe o profissional registrar o que encontrou.

Se o documento trouxer outro CID junto com Z73.0 ou QD85, isso não significa necessariamente erro. Pode existir outra condição sendo investigada ou tratada ao mesmo tempo.

Recebi Z73.0 ou QD85. O que faço agora?

Depois de entender o código, o próximo passo depende do que está acontecendo com você.

  1. Leia o documento inteiro. Confira diagnóstico por extenso, dias de afastamento, limitações, conduta e data. Se algo ficou confuso, pergunte ao profissional que emitiu.
  2. Cuide da sua saúde e guarde os registros. Atestados, relatórios, receitas, exames e prontuários ajudam a acompanhar a evolução do quadro.
  3. Leve o afastamento a sério. Se houver indicação de que você não tem condições de trabalhar, entenda o procedimento no nosso artigo sobre afastamento por burnout.
  4. Observe o que aconteceu no trabalho. Se metas, jornada, assédio ou sobrecarga contribuíram para o adoecimento, organize essas informações e procure orientação.

Se você acabou de receber a avaliação e está perdido, recomendo também o conteúdo descobri que tenho burnout: o que fazer?.

Só não faça uma coisa: não trate o código como se ele fosse toda a sua história.

Conclusão: o código ajuda, mas não conta toda a história

Se o seu documento traz Z73.0, ele não está automaticamente errado. Esse é o código da CID-10 ainda utilizada no Brasil em 2026.

Se traz QD85, ele está usando a classificação da CID-11 para o burnout. Isso também não transforma o documento em prova automática de doença ocupacional ou direito trabalhista.

Eu sei que, quando você está esgotado, até entender duas siglas pode parecer trabalho demais.

Anne Helen Petersen, no livro Não aguento mais não aguentar mais, mostra como receber um nome para aquilo que você vinha vivendo pode organizar uma experiência que parecia confusa e interminável.

Mas o nome é o começo, não o fim da análise.

O código ajuda a registrar o quadro. Sua saúde, sua capacidade de trabalhar e o que aconteceu no ambiente profissional precisam ser compreendidos para além dele.

Guarde este conteúdo para consultar quando precisar e, principalmente, não deixe de cuidar de você por achar que “é só cansaço”.

Dúvidas frequentes

CID Z73.0 é burnout?

O Z73.0 corresponde a esgotamento na CID-10 e é o código associado ao burnout. Ele continua aparecendo nos documentos brasileiros porque a CID-10 ainda é a classificação de uso corrente no país em 2026.

O que significa QD85?

QD85 é o código do burnout na CID-11. A OMS o define como fenômeno do contexto ocupacional decorrente do estresse crônico no trabalho que não foi administrado com sucesso.

Qual CID está valendo no Brasil: Z73.0 ou QD85?

O Brasil ainda utiliza a CID-10, na qual o código é Z73.0. A implementação integral da CID-11, que traz QD85, está prevista para janeiro de 2027.

O CID Z73.0 dá afastamento? Por quantos dias?

O código não gera afastamento automaticamente nem determina a quantidade de dias. O período depende da avaliação da sua incapacidade e da conduta do profissional que te acompanha. Entenda o procedimento no artigo sobre afastamento por burnout.

QD85 dá estabilidade ou aposentadoria?

Não automaticamente. Estabilidade, benefício e aposentadoria possuem requisitos próprios, e o código sozinho não comprova todos eles.

O CID é obrigatório no atestado?

Não em qualquer situação. A Resolução CFM 2.381/2024 permite a inclusão do diagnóstico por justa causa, dever legal ou solicitação do paciente ou representante, observadas as regras de concordância e registro.

Quem pode dar atestado de burnout? Clínico geral pode?

Sim, desde que tenha realizado a avaliação médica e registrado sua conclusão. Não existe uma regra dizendo que apenas o psiquiatra pode emitir o atestado, embora o acompanhamento especializado seja importante em muitos casos.

Fontes consultadas