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Descobri que tenho burnout. O que fazer agora?

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Trabalhador organiza documentos depois de receber diagnóstico de burnout
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Se você descobriu que está com burnout, comece cuidando da sua saúde. Procure atendimento, siga o tratamento e não continue trabalhando contra uma recomendação de afastamento.

Também vale organizar seus documentos desde o início. Atestados, relatórios, prontuário e registros do trabalho podem fazer diferença depois.

Neste artigo, eu vou te mostrar o que fazer agora e explicar quando entram a CAT, o INSS e os seus direitos.

O vídeo mostra o caminho desde o atendimento até o afastamento, a CAT e os direitos de quem adoeceu por causa do trabalho.

1. Procure atendimento e entenda o que está acontecendo

Se você ainda suspeita de burnout, conte ao profissional de saúde o que está sentindo, quando os sintomas começaram e o que estava acontecendo no trabalho. Um teste online pode ajudar a perceber sinais, mas não substitui uma avaliação.

O Ministério da Saúde indica psicólogo e psiquiatra para identificar o problema e orientar o tratamento. Dependendo do caso, outros profissionais também podem participar do cuidado.

Se você depende do SUS, pode procurar uma Unidade Básica de Saúde ou um CAPS. O CAPS recebe pessoas em sofrimento psíquico e funciona como porta aberta para o primeiro acolhimento, sem necessidade de agendamento.

Se houver risco imediato, tentativa de suicídio ou uma crise grave, procure uma UPA, pronto-socorro ou ligue para o SAMU 192. O CVV também atende gratuitamente pelo telefone 188 quando você precisa conversar.

Depois da consulta, siga a orientação recebida. Não escolha sozinho um período de afastamento, não se automedique e não tente suportar o trabalho quando o profissional concluiu que você precisa parar.

2. Guarde os documentos do tratamento

Atestado, relatório e prontuário não são a mesma coisa. O atestado costuma informar o período de afastamento, enquanto o relatório pode explicar o quadro, as limitações e o tratamento. O prontuário reúne o que foi registrado ao longo dos atendimentos.

Peça uma cópia do prontuário médico e guarde atestados, relatórios, receitas e exames. Uma sequência de documentos ajuda a mostrar quando os sintomas começaram, como o quadro evoluiu e quais medidas foram recomendadas.

Leia o documento antes de sair da consulta e converse com quem emitiu se alguma informação estiver errada ou incompleta. Não escolha o CID por conta própria nem peça uma troca apenas porque encontrou outro código na internet.

O CID não precisa aparecer em todo atestado médico entregue à empresa. Para o pedido atual de benefício por incapacidade, porém, o INSS exige que o laudo, relatório ou atestado informe a doença ou o CID. Temos uma explicação específica sobre o CID do burnout.

O que cada documento ajuda a mostrar

Os documentos se completam. Nenhum deles conta sozinho toda a história.

Atestado
Informa a necessidade e o período de afastamento.
Relatório
Pode explicar o quadro, as limitações, o tratamento e a evolução.
Prontuário
Reúne os registros produzidos durante os atendimentos.
CAT
Comunica que o adoecimento pode ter relação com o trabalho.
Registros do trabalho
Ajudam a mostrar jornada, metas, cobranças, assédio, sobrecarga e quando a empresa soube do problema.

3. Registre o que estava acontecendo no trabalho

Vou te falar algo que é bem cruel, mas que precisa ser dito.

No momento em que você entregar o atestado e informar que pode ter adoecido por causa do trabalho, a forma como a empresa te trata pode mudar. Estou falando isso para que você se resguarde e não seja pego de surpresa com uma demissão ou com a perda de acesso aos sistemas.

Se o burnout pode ter vindo de assédio, sobrecarga, metas abusivas ou outro problema do trabalho, organize os registros que já existem. Não deixe isso para quando o e-mail corporativo ou o celular da empresa estiver bloqueado.

Anote o que aconteceu e procure documentos relacionados a cada fato. Se havia sobrecarga, podem existir e-mails enviados tarde da noite, mensagens no WhatsApp ou Slack, registros de ligações e distribuição de tarefas. Se havia pressão por metas, procure planilhas, cobranças, áudios e avaliações de desempenho.

Guarde apenas o que tenha relação com o seu caso e a que você tenha acesso legítimo. Não copie dados sigilosos de clientes, documentos pessoais de colegas ou informações da empresa que não tenham ligação com o que aconteceu.

Esses registros ajudam a reconstruir a história e podem ser usados pelo INSS, pelo CEREST ou pela Justiça. Eles não garantem um resultado, mas evitam que toda a discussão dependa apenas da sua palavra contra a da empresa.

Para aprofundar essa parte, veja nosso guia sobre como provar a síndrome de burnout no trabalho.

4. Veja se você precisa se afastar

Não existe uma quantidade fixa de dias de afastamento para burnout. O período depende da avaliação do quadro, das suas limitações e do tempo estimado para a recuperação.

Para quem é empregado de uma empresa, os primeiros 15 dias de afastamento ficam, em regra, sob a responsabilidade do empregador. Quando a incapacidade ultrapassa esse período, o trabalhador pode pedir o benefício por incapacidade temporária ao INSS.

O pedido pode ser feito pelo Meu INSS. O documento precisa estar legível e informar o nome do paciente, a data de emissão, o período estimado de repouso, a doença ou o CID e a identificação do profissional exigida pelo serviço.

O INSS também analisa se existe incapacidade para o seu trabalho. Duas pessoas com o mesmo diagnóstico podem receber decisões diferentes, pois a incapacidade depende da atividade e das limitações de cada uma.

Também confira a espécie do benefício, porque o B31 é previdenciário, enquanto o B91 é acidentário e depende da relação entre a incapacidade e o trabalho. A CAT ajuda nessa análise, mas não transforma o pedido automaticamente em B91.

Quando a empresa termina e o INSS começa?

A ordem depende do período de incapacidade indicado nos documentos médicos.

  1. Avaliação de saúde

    O profissional define se existe incapacidade e por quanto tempo o afastamento é estimado.

  2. Primeiros 15 dias

    Para o empregado de empresa, esse período fica, em regra, sob responsabilidade do empregador.

  3. Mais de 15 dias

    O trabalhador pode pedir o benefício por incapacidade temporária ao INSS.

A CAT segue outra pergunta. Ela deve ser avaliada quando o trabalho causou ou agravou o quadro, mesmo que o afastamento não passe de 15 dias.

O passo a passo completo do pedido, dos documentos e dos prazos está no artigo sobre afastamento por síndrome de burnout.

5. Avalie a CAT se o trabalho causou ou agravou o quadro

A CAT deve ser registrada quando o burnout tem relação com o trabalho. Isso inclui situações em que o trabalho causou o adoecimento ou contribuiu para agravar o quadro.

A obrigação principal é da empresa, mesmo quando não há afastamento superior a 15 dias. Faça o pedido por e-mail, protocolo ou mensagem e guarde a resposta.

Se a empresa se recusar, procure primeiro o CEREST da sua região. O médico, o sindicato, o próprio trabalhador, seus dependentes e uma autoridade pública também podem registrar a CAT.

Não existe uma regra dizendo que a CAT tem automaticamente mais valor porque foi emitida pelo sindicato ou pelo CEREST. Independentemente de quem faça o cadastro, ela será analisada com os documentos médicos, a história do trabalho e as demais provas.

A CAT também não garante B91, estabilidade ou indenização. Ela registra a possível relação com o trabalho e passa a fazer parte do conjunto analisado pelo INSS ou pela Justiça.

O procedimento completo, inclusive o cadastro pela internet, está no nosso artigo sobre CAT por síndrome de burnout.

6. Planeje o retorno e peça as mudanças necessárias

Não adianta nada se afastar pelo INSS se, ao retornar, você encontrar as mesmas condições que te levaram a adoecer. Antes da volta, converse com o profissional que te acompanha sobre as limitações e as mudanças que podem ser necessárias.

Formalize o pedido para a empresa. Se o problema envolvia sobrecarga, desvio de função, metas abusivas, falta de descanso ou contato com determinada situação, descreva o que precisa ser revisto. Uma recomendação escrita do profissional de saúde pode ajudar a explicar a necessidade.

O pedido e a resposta da empresa mostram quando ela soube do problema e o que fez depois. Isso pode ser importante, mas não prova sozinho que a empresa teve culpa pelo adoecimento.

Se o problema continuar, você pode denunciar ao sindicato, ao CEREST, à Inspeção do Trabalho, ao Ministério Público do Trabalho ou ao canal interno da empresa. Cada um cumpre uma função, e a denúncia não é obrigatória em todo caso de burnout.

Guarde os protocolos e descreva fatos concretos. Data, setor, jornada, meta, cobrança e pessoas que presenciaram o ocorrido ajudam mais do que uma denúncia genérica dizendo apenas que o ambiente era ruim.

7. Antes de sair da empresa, entenda as opções

Se o ambiente continua adoecedor, é normal pensar em sair. O problema é tomar uma decisão difícil de desfazer quando você ainda está esgotado e sem conhecer as consequências.

Não peça demissão nem pare de trabalhar contando com uma rescisão indireta automática, porque ela depende de falta grave da empresa, prova e reconhecimento judicial. Seguir os passos deste artigo não garante que ela será aceita.

Uma demissão durante o adoecimento também pode gerar discussão sobre estabilidade, reintegração ou indenização. A resposta muda conforme o afastamento, o benefício recebido, a relação com o trabalho e o motivo da dispensa.

Organize os documentos e entenda as opções antes de decidir. Nosso artigo sobre como sair da empresa por síndrome de burnout explica a rescisão indireta e os cuidados necessários.

CNPJ nenhum vale sua saúde mental. Só que cuidar da saúde também envolve não trocar uma situação ruim por um problema financeiro e jurídico que poderia ter sido evitado.

Conclusão

Se você descobriu que tem burnout, cuide primeiro da sua saúde e guarde os documentos do tratamento. Depois, registre o que estava acontecendo no trabalho e confira se existe indicação de afastamento.

Quando o trabalho causou ou agravou o quadro, pode ser necessário registrar a CAT; se a incapacidade ultrapassar o período sob responsabilidade da empresa, entra o pedido ao INSS. Saída, estabilidade e indenização dependem do que aconteceu e do que pode ser provado.

Esse roteiro não resolve todos os casos da mesma forma, mas ajuda a colocar as providências na ordem e a entender qual assunto precisa ser aprofundado. Para ter uma visão geral, consulte também nosso guia sobre os direitos trabalhistas de quem sofre com burnout.

Fontes consultadas

Sua estimativa pode chegar aR$ 0.

Esse é um valor estimado. Um advogado precisa analisar os documentos e os detalhes do seu caso.

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